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Após o Salão de Agricultura de Paris, monumental, com 7 pavilhões, encontramos o que podemos dizer significar uma gigantesca revolução científica no agronegócio, a pesquisa genética. As sementes são e serão o código essencial de todo sistema do agronegócio desde os solos até os pratos, desde a terra até a vida. E significam meio ambiente e saúde em todos os sentidos. Ė invisível, porém é a seguranca genética.

Então, em Clermont Ferrand, região dos vulcões extintos franceses, uma cooperativa formada por 1.300 agricultores hoje investe o equivalente a R$ 1,887 bilhão em pesquisa de sementes. Para ter uma ideia, somente essa cooperativa francesa, a Limagrain, investe um valor anual que é quase o dobro do que investimos no Brasil em pesquisa agrícola. É muito maior do que fazemos em genética vegetal, nas sementes.

Dessa forma, enquanto somos distraídos de focos vitais e estratégicos para o agronegócio brasileiro, com invasões estimuladas por polarizações ideológicas, com revogação de decretos estratégicos de logística fluvial, com divisão de lideranças do próprio conjunto do complexo agronegócio, desde a ciência até o consumidor final, somos surpreendidos por uma iniciativa, e uma decisão estratégica de uma cooperativa que nasceu com 100 agricultores em 1965 e hoje tem uma receita de mais de 2,5 bilhões de euros anuais, que sozinha faz um investimento na segurança genética dos produtores rurais, nas sementes.

E por que isso é vital? Será através das sementes adaptadas que enfrentaremos velozmente as mudanças climáticas, as transformações de cada microbioma, desenvolvidas para diversos e distintos fins agroindustriais e alimentares, em todos os campos, nas hortaliças, jardins, árvores, grãos, ração, medicina, saúde, enfim em tudo o que é originado e continuará a ser originado nos campos, águas e mares.

Um investimento dessa envergadura decidido e mantido numa decisão de 1.300 agricultores franceses nos provoca o pensamento do quanto estamos carentes e distantes de um pensamento reunido, com foco nas nossas inseguranças e na velocidade com que teremos que agir.

Do Salão de Agricultura de Paris, passando por Clermont Ferrand na Limagrain, vai aqui um grito de alerta: velocidade, Brasil; reunião para decisões conjuntas e estratégicas e, atenção, o domínio da ciência genética significará efetivamente a segurança do agronegócio inteiro.
Minimamente minha recomendação ė para que cooperativas brasileiras busquem uma intercooperação na ciência genética com essa cooperativa francesa. Nesse campo, acima e além do acordo UE-Mercosul, podemos e devemos iniciar já, ao lado da Embrapa, um programa de segurança genética agronacional. E por que não de cooperativa para cooperativa?

O futuro está cada vez mais no invisível, nos genes e nas suas edições gênicas. É preciso acompanhar e estar nesse estado da arte da genômica. E o que ouvi de um agricultor francês (board farmer member da Limagrain), o Yannick Chassaing, foi “aprendemos com vocês brasileiros como conseguiram criar uma agricultura conservacionista e modelo superando as fortes exigências tropicais, e aqui replicamos esses modelos resilientes, temos muito para fazer juntos”.

1.300 agricultores investem R$ 1,887 bilhão anualmente em pesquisa de sementes para segurança genética atuando hoje no mundo todo, inclusive no Brasil. Parabéns, Limagrain.
Sabedoria que precisamos imitar. E isso tendo como centro a proteção aos nossos agricultores e segurança alimentar nacional.

José Tejon

*José Luiz Tejon é jornalista e publicitário, doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai e mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie.


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