Segundo dados do ICMBio apresentados na COP30, os principais avanços sobre o desmatamento incluem a redução de 11,08% na Amazônia Legal entre agosto de 2024 e julho de 2025, com queda ainda maior, de 31%, em áreas federais protegidas — o menor índice registrado desde 2007.
Com números positivos, a oportunidade para o Brasil liderar um plano global para zerar o desmatamento e a degradação florestal até 2030 ressurge com otimismo, aproveitando a experiência nacional em conservação florestal. Medidas como a destinação de terras públicas para conservação, a demarcação de territórios indígenas e o bloqueio de financiamentos que apoiam o desmatamento são consideradas fundamentais para avançar.
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Entre os pontos de discórdia, pesquisadores e cientistas alertam que os planos apresentados são insuficientes e provocativos, pois ignoram a gravidade da crise climática e não trazem um roteiro claro, com financiamento, capacitação e monitoramento robustos para o fim do desmatamento.
Além disso, há críticas ao uso de florestas em pé como compensação para manter o uso de combustíveis fósseis, o que reforça a necessidade de uma abordagem integrada entre clima e desmatamento. Outro ponto relevante é a preocupação com a pressão internacional sobre países com maior cobertura florestal — em sua maioria, nações em desenvolvimento — que demandam apoio global efetivo para sustentar crescimento econômico e conservação.
As perspectivas apontam para a importância de uma meta mais ambiciosa para alcançar o desmatamento zero, considerando que o ponto de não retorno para a Amazônia pode ser atingido entre 2050 e 2070. As consequências negativas não se limitam à floresta, mas se estendem a outros biomas e à economia brasileira. A degradação florestal vem aumentando, o que indica que, apesar da redução no desmatamento, persistem desafios para garantir conservação e sustentabilidade.
Com o fim da COP30 no Brasil, permanecem desafios significativos no combate ao desmatamento, com implicações para o agronegócio, a qualidade ambiental e os compromissos climáticos do país. Entre as metas discutidas, a conclusão do evento também foi marcada pela ausência de menção expressa aos combustíveis fósseis nos documentos aprovados, evidenciando dificuldades políticas e falta de consenso entre as partes para avançar em temas ainda sensíveis para a economia global.

*Ana Paula Abritta é diretora de Estratégia e Inovação da BMJ Consultores Associados, onde atua desde 2016 liderando equipes de Relações Governamentais, Inovação e Comércio Internacional. É mestra em Poder Legislativo (Câmara dos Deputados), com MBA em Comércio Internacional (FGV) e graduação em Relações Internacionais (UCB). É cofundadora da rede Women Inside Trade (WIT).
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