Foto: Divulgação Casa Branca

O governo do presidente Donald Trump deve se reunir ainda nesta semana com executivos de empresas petrolíferas dos Estados Unidos para discutir alternativas para ampliar a produção de petróleo na Venezuela. A iniciativa ocorre após forças norte-americanas deporem e prenderem o então presidente venezuelano Nicolás Maduro.

Segundo uma fonte ouvida pela Reuters, os encontros são considerados estratégicos para o plano da Casa Branca de viabilizar o retorno de grandes companhias americanas ao setor energético venezuelano, quase 20 anos depois de o país ter assumido o controle de operações antes lideradas por empresas dos EUA.

Apesar de Trump afirmar publicamente que já teria conversado com “todas” as petrolíferas americanas, executivos de Exxon Mobil, ConocoPhillips e Chevron negam qualquer contato formal com o governo norte-americano até o momento, seja sobre a queda de Maduro ou sobre eventuais operações na Venezuela.

Fontes do setor afirmam que nenhuma dessas empresas participou de discussões antes ou depois da remoção do líder venezuelano, o que contraria a versão apresentada pelo presidente dos Estados Unidos. Ainda não está definido quem participará das reuniões nem se os encontros ocorrerão de forma individual ou coletiva.

A Casa Branca evitou comentar diretamente a agenda, mas afirmou acreditar que a indústria petrolífera americana estaria disposta a investir de forma significativa na reconstrução da infraestrutura energética venezuelana, fortemente deteriorada ao longo dos últimos anos. Trump chegou a afirmar, em entrevistas recentes, que o governo dos EUA pode até subsidiar empresas de energia para viabilizar esses investimentos.

Segundo o presidente, as companhias sabiam que Washington considerava uma ação contra o regime venezuelano, mas não teriam sido informadas previamente sobre a operação militar que resultou na retirada de Maduro do poder.

Analistas do setor, no entanto, alertam para os desafios do plano. A produção de petróleo da Venezuela recuou para cerca de um terço do seu pico histórico em função de anos de subinvestimento, sanções econômicas e deterioração da infraestrutura. A recuperação do setor exigiria aportes bilionários, vários anos de trabalho e, sobretudo, um ambiente político e jurídico estável.

Atualmente, apenas a Chevron mantém operações no país. Exxon Mobil e ConocoPhillips deixaram a Venezuela após as nacionalizações promovidas durante o governo de Hugo Chávez e ainda buscam indenizações bilionárias em disputas judiciais internacionais.

Mesmo diante das incertezas, a ofensiva dos Estados Unidos animou os mercados financeiros. O índice de energia do S&P 500 atingiu o maior nível desde março de 2025, impulsionado pela valorização das ações de Exxon Mobil e Chevron.

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