Exportadores brasileiros de carne bovina pediram apoio do governo federal para minimizar os impactos das salvaguardas impostas pela China, principal destino das exportações do setor. Entre as medidas solicitadas estão a criação de linhas de crédito para a cadeia pecuária, a abertura de novos mercados e a definição de regras claras para a distribuição das cotas de exportação ao país asiático.
Em ofício enviado na última sexta-feira (9) ao ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) e a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) pediram ao governo que negocie com Pequim a revogação das salvaguardas anunciadas no fim de 2025 ou, ao menos, a revisão das medidas.
- Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!
O setor defende, no mínimo, mudanças na distribuição das cotas e a ampliação do volume autorizado para o Brasil, atualmente fixado em 1,1 milhão de toneladas para 2026.
Cota menor preocupa indústria
O ponto central da preocupação das indústrias é que o volume previsto para 2026 representa uma redução de cerca de 35% em relação ao total exportado pelo Brasil em 2025. Segundo a Abiec, a ausência de uma regulação oficial para a distribuição dessa cota pode provocar uma corrida desordenada entre os exportadores no início do período, seguida por uma forte retração nos embarques.
Esse movimento, avalia a entidade, tende a gerar volatilidade nos preços do boi gordo no mercado interno e dos cortes bovinos no mercado internacional, com impacto direto sobre produtores e frigoríficos.
Pedido por linhas de crédito e novos mercados
Além da negociação direta com a China, a Abiec levou as demandas ao vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e também aos ministérios da Indústria e da Agricultura, apresentando um conjunto de propostas para reduzir os efeitos das salvaguardas.
Entre as medidas estão a abertura de linhas de crédito específicas para a cadeia pecuária, como forma de dar fôlego financeiro às empresas e aos produtores durante o período de restrição, e a diversificação de mercados, com o objetivo de reduzir a dependência do destino chinês.
Segundo a associação, a definição das regras de distribuição da cota chinesa é uma atribuição exclusiva do governo federal. O setor descarta qualquer tipo de acordo privado entre empresas, por razões concorrenciais, e defende que a regulação ocorra por meio de norma oficial, com controle de volumes e equilíbrio entre os exportadores.
O post Exportadores de carne pedem ao governo linhas de crédito para enfrentar salvaguardas chinesas apareceu primeiro em Canal Rural.