A ideia de que aumentar a dose de fertilizantes resulta, automaticamente, em maior produtividade ainda é comum no campo. No entanto, do ponto de vista técnico, essa relação só é válida até determinado ponto. Isso porque a eficiência começa a cair e o custo pode superar o benefício.
De acordo com o head of agribusiness Terradot, Renato Rodrigues, toda a cultura agronômica responde à adubação seguindo uma curva. Quando o solo está abaixo do nível crítico de nutrientes, cada quilo aplicado gera incremento expressivo na produção. É o estágio de alta eficiência agronômica, com grande retorno por unidade aplicada.
“À medida que o solo se aproxima da suficiência nutricional, a resposta marginal diminui. E esse processo é conhecido como a lei dos retornos decrescentes. Então, cada quilo adicional de fertilizante passa a gerar menos resultado do que o anterior”, explica.
Eficiência depende de três fatores
A eficiência total do sistema produtivo está ligada a três componentes:
- Eficiência agronômica: quanto a produtividade aumenta por unidade de nutriente aplicada.
- Recuperação aparente: quanto do nutriente aplicado é efetivamente absorvido pela planta.
- Eficiência fisiológica: capacidade da planta de converter o nutriente absorvido em produção.
Segundo Rodrigues, se um desses fatores cai, a eficiência total também diminui. Isso ocorre com frequência quando se ultrapassa o ponto ótimo de adubação.
Máxima produtividade não é igual a máximo lucro
De acordo com Rodrigues, o ponto de máxima eficiência econômica raramente coincide com a dose de máxima produtividade. “A última tonelada produzida do produto geralmente é a mais cara, porque a resposta marginal é baixa, mas o custo por unidade aplicado continua sendo mais alto”, destaca.
Em cenários de preços voláteis dos fertilizantes, essa diferença pode comprometer diretamente a margem do produtor.
Excesso também traz riscos
De acordo com Rodrigues, o excesso de nutriente pode aumentar riscos, gerar desequilíbrios e perdas.
O especialista cita que o nitrogênio em excesso aumenta o risco de acamamento e de emissões de óxido nitroso. Já o potássio aplicado acima do necessário pode desbalancear magnésio e cálcio. No caso do fósforo, quando utilizado além da capacidade de fixação do solo, há tendência de imobilização ou de perda para o ambiente.
“Quando pegamos um ano com algum fenômeno climático, um ano de clima estável, como sob influência de um El Niño, o risco da superdosagem aumenta ainda mais, porque se a produção não se concretiza por conta do estresse climático”, explica Rodrigues.
Agricultura moderna foca em eficiência
Para Rodrigues, a agricultura atual, incluindo sistemas regenerativos tropicais, não se baseia no volume de fertilizante aplicado, mas na eficiência do sistema. A adubação deixou de ser fórmula fixa. No ambiente competitivo, ganha quem entende o ponto ótimo, não quem aplica a maior dose.
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