Foto Jonas Oliveira

A avicultura exerce papel cada vez mais estratégico na economia do Distrito Federal e dos municípios do entorno, respondendo por um terço da produção agropecuária da região.

Os números se traduzem em milhares de empregos e ajudam na garantia da segurança alimentar dos municípios adjacentes, mas, ao mesmo tempo, o setor apresenta demandas estruturais e fiscais que considera urgentes.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Avicultores do Distrito Federal (Sindiaves), Eduardo Batista, existem falhas frequentes no fornecimento de energia elétrica das granjas, obrigando os criadores a utilizarem geradores a diesel, o que aumenta significativamente os custos de produção.

Além disso, muitas das estradas que dão acesso às propriedades não são asfaltadas, o que atrapalha o escoamento da produção e a chegada dos fornecedores, como os de ração e de outros insumos.

“Nesses trechos, a falta de manutenção e de operação tem ocasionado diversos problemas, sejam veículos e caminões atolados, seja no excesso de poeira, que prejudica o nosso transporte. Lembrando, a via não é apenas para uso do produtor de frango e de ovos, ela atende todo o ecossistema das comunidades, das vizinhanças”, ressalta.

Cobrança sobre a cama de frango

Desde o dia 1 de janeiro de 2026, a avicultura brasiliense deixou de ser isenta de cobrança de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre cama de frango e passou a ter de pagar 20% desse tributo.

“Em nossa atividade, com a compra da maravalha, com a compra do substrato, não conseguimos dar vazão. Então, essa tributação excessiva do dia para a noite impactou diretamente os nossos custos e a nossa oferta”, ressalta.

Batista conta que a cama de frango era vendida para diversas atividades da agricultura do município, como soja, café e fruticultura, mas a cobrança do imposto afetou a concorrência em relação aos produtos alternativos. “Foi uma medida desastrosa que nos impacta diretamente e acaba ocasionando o que nós também não queremos, que é a informalidade”, argumenta.

Perfil de avicultura brasiliense

A capital do país produz cerca de 50 milhões de cabeças de frango por ano, mais de 250 milhões de ovos férteis e conta com dois estabelecimentos de Serviço de Inspeção Federal (SIF) para aves e um terceiro para ovos.

Segundo o presidente do Sindiaves, graças ao material genético de altíssima qualidade recebido pelos produtores e a modernização das instalações, é possível alcançar números expressivos mesmo em um município pequeno.

“Na produção de ovos férteis, por exemplo, há pouco tempo a gente falava em 120 ovos por ave alojada. Hoje nós já estamos em mais de 200. A mesma coisa com o frango: a nossa conversão alimentar que já era altíssima hoje atinge entre 1,5 e 1,6 kg”, detalha.

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