Ministério da Agricultura e Pecuária

O governo brasileiro vai negociar com a China para reduzir os impactos da aplicação de uma salvaguarda sobre as importações de carne bovina. A medida começou a valer nesta quinta-feira (1º) e tem duração prevista de três anos.

A decisão foi anunciada pelo governo chinês no último dia útil do ano passado e afeta todos os países exportadores. Para o Brasil, principal fornecedor do produto ao mercado chinês, a preocupação é com a perda de competitividade e de receita nas exportações.

Segundo nota do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o governo atua de forma coordenada com o setor privado. O diálogo com a China ocorre tanto no âmbito bilateral quanto no contexto da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Como funciona a salvaguarda chinesa

A medida estabelece uma cota anual de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina brasileira. Os volumes exportados acima desse limite serão sobretaxados em 55%.

As salvaguardas estão previstas nas regras da OMC e podem ser adotadas quando há aumento relevante das importações. Elas não estão relacionadas a práticas desleais de comércio e atingem todos os países exportadores, sem distinção.

Impactos para o setor de carne bovina

De acordo com a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), o Brasil pode perder até US$ 3 bilhões em 2026 com a aplicação da medida chinesa. A entidade avalia que a salvaguarda compromete o desempenho das exportações do setor.

Em 2025, as vendas externas de carne bovina devem superar US$ 18 bilhões. Diante do novo cenário, a Abrafrigo defende uma atuação diplomática mais intensa e estratégias para ampliar o acesso a novos mercados, como forma de reduzir os impactos da restrição chinesa.

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