Produtores rurais do Paraná têm enfrentado prejuízos recorrentes provocados por quedas constantes de energia e oscilações na rede elétrica. Em um dos casos mais recentes, a produtora de aves Sandra Bogo perdeu cerca de 20 mil frangos após falhas no fornecimento de eletricidade em sua propriedade, localizada em São Miguel do Iguaçu, no oeste do estado.
- Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!
Segundo relato, a energia começou a oscilar no aviário e, mesmo com o acionamento do gerador, o sistema não conseguiu manter o funcionamento adequado dos equipamentos. A chave do sistema elétrico não resistiu às variações de energia, comprometendo o sistema de ventilação.
Sem a ventilação adequada dentro do aviário, os animais não resistiram às condições do ambiente e acabaram morrendo.
O caso é um exemplo dos problemas que vêm sendo relatados por produtores em diferentes regiões do estado.
Prejuízos recorrentes no campo
De acordo com o presidente do Sistema Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Ágide Eduardo Meneguette, as falhas no fornecimento de energia têm causado prejuízos significativos para a produção agropecuária.
Em entrevista ao Mercado & Cia, ele afirmou que a instabilidade no serviço deixou de ser pontual e passou a ocorrer com frequência no meio rural.
“Um bem essencial para a produção é a energia elétrica. Antes tínhamos problemas pontuais, mas hoje eles se tornaram recorrentes, trazendo prejuízos gigantescos para o setor produtivo paranaense e também para a sociedade”, afirmou.
Segundo Meneguette, há registros de mortalidade de animais, perdas na produção agrícola e queima de equipamentos em diversas propriedades.
Problema pode ser estrutural
Na avaliação do dirigente, os relatos indicam que a situação pode representar um problema estrutural na rede elétrica que atende o meio rural do Paraná.
Ele explica que, apesar de investimentos em linhas de transmissão, ainda existem dificuldades para que a energia chegue de forma estável até as propriedades.
“Estamos observando uma diferença muito grande entre os indicadores técnicos do sistema. Algumas subestações não conseguem receber a energia e fazer a transmissão adequada até os pontos finais”, disse.
Outro fator apontado é a falta de manutenção na rede elétrica, especialmente em áreas próximas a reservas legais, Áreas de Preservação Permanente (APPs) e dentro das propriedades rurais, onde galhos e árvores podem atingir a fiação e provocar interrupções no fornecimento.
Impactos em diferentes cadeias produtivas
Os impactos da instabilidade elétrica atingem diferentes atividades agropecuárias no estado. Na região oeste do Paraná, uma das principais áreas produtoras de proteína animal do país, produtores relatam perdas na produção de aves e peixes após interrupções no fornecimento de energia.
Também há casos de prejuízos na agricultura. Meneguette citou a situação de um produtor de fumo que perdeu toda a produção durante o processo de secagem das folhas após uma queda de energia.
“Um pequeno produtor teve prejuízo de cerca de R$ 250 mil porque a energia caiu no momento da secagem do fumo e não retornou a tempo”, relatou.
Segundo ele, muitos produtores têm recorrido à Justiça para tentar obter ressarcimento pelas perdas, mas nem sempre conseguem recuperar os prejuízos.
A Copel, concessionária responsável pelo fornecimento de energia no estado, foi privatizada em 2023 com a promessa de aumentar a eficiência e melhorar o atendimento. No entanto, segundo o presidente da Faep, os produtores ainda enfrentam dificuldades no campo.
“Infelizmente houve piora no atendimento. Em muitos casos, quando um técnico é acionado, ele pode levar dois ou três dias para chegar até a propriedade”, afirmou.
Ele também relatou atrasos em processos de ligação de rede trifásica e dificuldades operacionais em diferentes regiões do estado.
Para Meneguette, parte dos problemas pode estar relacionada à saída de técnicos experientes da empresa e à falta de estrutura para substituí-los adequadamente.
Custos podem chegar ao consumidor
Segundo o dirigente, a instabilidade no fornecimento de energia também pode elevar os custos de produção no campo. Muitos produtores recorrem a geradores para evitar perdas, o que aumenta as despesas com combustível e manutenção.
“Mesmo com gerador, o produtor precisa usar óleo diesel. Esse custo operacional acaba sendo repassado para fora da porteira”, afirmou.
Na avaliação dele, se os problemas persistirem, o impacto pode chegar ao consumidor final por meio do aumento no preço dos alimentos.
“Quem vai pagar a conta no final é o consumidor, porque o produtor não consegue absorver sozinho esse custo adicional”, concluiu.
O Canal Rural entrou em contato com a Copel, concessionária responsável pelo fornecimento de energia no estado, mas até o momento não obteve retorno.
O post Falhas no fornecimento de energia provocam morte de 20 mil aves em granja no Paraná apareceu primeiro em Canal Rural.