Foto: Divulgação Famato

Uma comitiva formada por presidentes de 20 sindicatos rurais e liderada pelo Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), realizou nesta segunda-feira (23) visitas técnicas em Miritituba, no Pará, para acompanhar as condições logísticas do escoamento da safra de Mato Grosso pelo Arco Norte.

O grupo saiu da região do km 30 e seguiu até o porto, em um trajeto de pouco mais de 30 km, onde constatou mais de 25 km de fila de caminhões carregados com soja mato-grossense.

De acordo com os representantes do setor, os caminhoneiros relataram longas esperas para triagem e descarregamento, além de falta de apoio básico ao longo da fila. Para o presidente da Famato, Vilmondes Tomain, o cenário evidencia a necessidade de ampliar a capacidade portuária e melhorar a gestão do fluxo com apoio do poder público.

“Eu faço um apelo para os nossos representantes, para os governos de Mato Grosso e do Pará e para que a gente una forças. Ministério da Agricultura e Ministério dos Transportes precisam vir aqui ver de perto essa demanda para trazer soluções”, disse.

‘Falta de banheiro e impactos emocionais’

Na fila, o caminhoneiro Luigi Brischiliari relatou ausência de estrutura mínima, como banheiros e pontos de atendimento, além de impactos emocionais causados pela espera prolongada. “Aqui a gente está jogado, não tem banheiro a gente passa dificuldade. São muitos pais de família e não tá merecendo esse descaso”, afirmou.

Segundo ele, o abalo psicológico é o mais preocupante. “Tem colega que fica tantas horas [na fila] e acaba fazendo coisa errada na estrada”, completou.

Outro caminhoneiro, Rodrigo Caicara, apontou falhas na triagem e na organização do fluxo, o que, segundo ele, contribui para o acúmulo de caminhões ao longo da rota até o porto. “O que a gente está vendo aqui é falta de organização. Tem empresa que não está suportando receber os caminhões. Isso vai entupindo a fila e por isso estou aqui há vários dias”, relatou.

Ampliação do porto

Com base no que foi observado e ouvido durante a visita, a Famato defende a necessidade de ampliar a capacidade portuária e de triagem, com expansão de pátios, melhorias operacionais e reforço de equipes em períodos de pico.

Segundo o presidente da entidade, é preciso viabilizar novos armazéns, o que dará planejamento de médio e longo prazo para aliviar a maior demanda sazonal da safra.

“A questão do armazenamento de Mato Grosso é essencial para equilibrar o escoamento. Tem que começar lá atrás: armazém, rodovias e porto. Isso é planejamento. Se o produtor colhe e consegue armazenar, esse fluxo aqui também melhora”, afirmou Vilmondes.

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