Reprodução Canal Rural

Os acumulados de chuva desde o início de setembro somam cerca de 800 milímetros, criando um cenário climático bastante favorável ao desenvolvimento da soja. Apesar de pequenos veranicos registrados em novembro, o ciclo da cultura transcorreu sem grandes estresses hídricos em diversas regiões produtoras, o que permitiu o início da colheita ainda no fim de dezembro, a partir do dia 28, especialmente nas áreas com soja precoce.

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Em propriedades com solos de maior teor de argila, entre 55% e 60%, consideradas áreas de alto potencial produtivo, a média inicial tem superado as expectativas históricas. Produtores que costumam colher entre 75 e 78 sacas por hectare registram, neste início, médias em torno de 83 sacas em cerca de 700 hectares já colhidos. No entanto, a tendência é de redução da produtividade à medida que a colheita avance para áreas mais manchadas e talhões com menor qualidade de solo.

Nas áreas arenosas, com 10% a 20% de argila, a expectativa é de produtividade mais modesta, variando entre 60 e 65 sacas por hectare, dentro do padrão histórico. Já em áreas novas, também arenosas e ainda em fase de consolidação produtiva, os rendimentos podem ficar abaixo de 50 sacas. Com isso, a média final da fazenda dificilmente deve alcançar os patamares acima de 80 sacas por hectare, o que pressiona diretamente a margem líquida do produtor.

A colheita segue em ritmo acelerado, com previsão de conclusão em aproximadamente uma semana, desde que o clima colabore. De acordo com a reportagem, a estratégia é não interromper os trabalhos, garantindo a retirada da soja no ponto ideal, evitando perdas por grãos verdes ou deterioração, e assegurando o armazenamento adequado nos silos. A eficiência operacional, segundo os produtores, é determinante neste momento do ciclo.

Nesse contexto, o uso de tecnologia tem sido um aliado importante. Sistemas de telemetria permitem o monitoramento em tempo real do consumo de combustível, do desempenho das máquinas e da eficiência da colheita, possibilitando ajustes imediatos. Em um cenário de margens apertadas, o controle rigoroso de custos tornou-se indispensável, especialmente em propriedades com grande frota de máquinas.

A boa distribuição das chuvas ao longo do ciclo deixou as lavouras bem desenvolvidas, uniformes e com padrão visual positivo. Em algumas áreas, a soja precoce já alcança cerca de 97 dias, com expectativa de bons resultados nas primeiras 500 hectares colhidas. O restante das áreas deve entrar em colheita em 10 a 12 dias, permitindo a estratégia de colher a soja e, na sequência, implantar o algodão como segunda safra, aproveitando uma janela considerada favorável.

Outro fator que pesa é o aumento dos investimentos realizados em períodos de custos elevados, o que hoje exige um maior volume de sacas para pagamento dessas despesas. A combinação de custos altos e preços defasados do grão reforça a necessidade de planejamento financeiro, acompanhamento de mercado e travamento gradual de vendas para formação de uma média de preços mais equilibrada.

Em municípios vizinhos, como Sapezal, onde cerca de 360 mil hectares de soja foram cultivados nesta safra, as colheitadeiras também já entraram em campo. Por enquanto, o ritmo ainda é tímido e concentrado em grandes grupos produtores que destinam as áreas à implantação do algodão na segunda safra. Há lavouras plantadas desde setembro, passando por outubro e novembro, o que deve resultar em uma colheita mais intensa a partir da segunda quinzena de janeiro.

Com um longo caminho de colheita pela frente e a presença de áreas marginais que tendem a derrubar a média, o maior receio dos produtores segue sendo a rentabilidade. A orientação é de fazer contas, acompanhar de perto o custo de produção, monitorar o mercado e planejar as vendas de forma estratégica. Em um cenário desafiador, manter a eficiência e a saúde financeira tornou-se tão importante quanto colher bem.

O post MT: colheita de soja começa com bom desempenho, mas alto custos seguem como gargalos apareceu primeiro em Canal Rural.



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