Agronegócio

A tecnologia que faz sentido para o campo inovar

Autor: Por Daniel Carrara* Publicado em: Fonte: Globo Rural
A tecnologia que faz sentido para o campo inovar
Foto: Globo Rural

Tecnologia e inovação são caminhos sem volta para a agropecuária brasileira. Como diz o slogan da FAO para o Dia Mundial da Alimentação de 2026, é preciso "inovar hoje para nutrir o amanhã".

No campo existem muitas realidades distintas, mas é fato que o agro vive, hoje, uma nova etapa da agricultura digital. A inteligência artificial amplia de forma extraordinária a capacidade de processar informações, identificar padrões e apoiar decisões.

A agricultura de precisão permite utilizar insumos e recursos com mais racionalidade. Sensores, drones e sistemas de monitoramento ajudam a conhecer melhor o que acontece dentro da propriedade. Dados técnicos e econômicos fazem o produtor compreender com mais clareza onde ganhar eficiência, rentabilidade.

E quanto mais tecnológica a agropecuária, maior é a necessidade de pessoas qualificadas, de profissionais capazes não apenas de operar equipamentos, mas de interpretar dados, integrar diferentes soluções e, principalmente, compreender os problemas do produtor rural.

Essa mudança de perspectiva orienta cada vez mais a atuação do Sistema CNA/Senar. Foi assim que nasceu um novo conceito: o

Senar i - Centro de Formação em Inovação no Agro
. Com abrangência nacional e com uma missão muito clara de aproximar tecnologia, conhecimento e realidade produtiva.

A proposta do Senar i é preparar profissionais capazes de avaliar as necessidades de uma propriedade, identificar gargalos, conhecer as tecnologias disponíveis, apoiar sua implantação e acompanhar os resultados técnicos, operacionais e econômicos.

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É uma diferença importante. Não basta simplesmente ensinar alguém a utilizar uma ferramenta. É preciso formar profissionais preparados para compreender quando, onde, como e por que utilizá-la. Tecnologia só gera valor quando é transformada em decisão.

A primeira unidade do Senar i será inaugurada em Salvador (BA) em 2027 e contará com laboratórios, ambientes de aprendizagem e experimentação e uma vitrine tecnológica permanente. Os primeiros cursos traduzem bem esse conceito, abordando inteligência de drones para o agronegócio, monitoramento tecnológico e decisões baseadas em dados na pecuária.

Outra iniciativa que simboliza esse novo momento é o "JoIA - Inteligência que nasce no campo", desenvolvido pelo Sistema CNA/Senar.

Com tantos dados disponíveis, o desafio passou a ser selecionar o que é confiável, interpretar essa enorme quantidade de informação e transformá-la em algo efetivamente útil para quem precisa decidir. O JoIA foi desenvolvido para fazer essa ponte.

Disponível pelo WhatsApp, que já faz parte do cotidiano no campo, a ferramenta permite ao produtor conversar por texto, áudio ou imagem e acessar informações em uma linguagem simples sobre clima, preços, custos de produção, mercado, manejo e suporte técnico. Fundamental para construir e analisar custos, comparar cenários e avaliar decisões relacionadas à produção e à gestão.

Um dos seus grandes diferenciais está na origem confiável das informações: o JoIA utiliza bases técnicas, econômicas e regionalizadas do Sistema CNA/Senar, além de conteúdos validados, para transformar dados em informações que façam sentido para a realidade produtiva.

Quanto mais sofisticada a tecnologia por trás de uma solução, maior deve ser o esforço do Sistema CNA/Senar para torná-la simples na ponta.

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Princípio que está presente em diversas iniciativas estruturadas do Senar para acelerar a transformação digital e a inovação tecnológica no campo.

Em 2026, por exemplo, foi lançada no Senar Play uma Trilha Formativa sobre Inteligência Artificial Aplicada ao Agro com cinco cursos gratuitos e 68 horas de formação. Um conteúdo voltado para o ensino da Inteligência Artificia

Em pouco mais de dois meses, os cursos já acumulavam mais de 10 mil matrículas. O interesse demonstra que produtores e profissionais perceberam que compreender inteligência artificial deixou de ser uma discussão sobre o futuro. Já é uma competência para o presente.

A inteligência artificial também foi incorporada às cartilhas técnicas do Senar Play, permitindo que o usuário interaja com o conteúdo, tire dúvidas e localize informações de maneira mais rápida.

Até mesmo nosso tradicional Concurso de Vídeos Educativos ganhou uma categoria especial de conteúdos produzidos com IA estimulando instrutores e técnicos a conhecer novas linguagens e possibilidades de comunicação.

Mas talvez seja na Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) que fique ainda mais evidente a maneira como enxergamos essa transformação. A tecnologia não substitui a relação humana entre o técnico e o produtor. Ela potencializa essa relação.

O técnico conhece a propriedade, acompanha seus resultados e constrói uma relação de confiança com a família rural. A tecnologia acrescenta capacidade de análise, velocidade de acesso à informação e novos instrumentos para apoiar esse trabalho.

Ecossistema de inovação

É nessa lógica que ferramentas como o IATEC dão suporte aos nossos profissionais de campo, reunindo conhecimento técnico, metodológico e científico. Hoje, são mais de 7 mil profissionais utilizando a plataforma, com cerca de 138 mil mensagens trocadas.

Forma-se, assim, um verdadeiro ecossistema de inovação: qualificar profissionais, organizar dados, desenvolver ferramentas digitais, levar inteligência artificial ao produtor e conectar tudo isso à assistência técnica.

A verdadeira transformação digital do agro acontece quando a inovação chega ao produtor de maneira simples, confiável e economicamente viável para ajudá-lo a produzir e gerir melhor sua propriedade. Quando ajuda o produtor a decidir.

É fato que o futuro do campo será cada vez mais tecnológico, mas o compromisso do Sistema CNA/Senar é trabalhar para que seja também cada vez mais acessível, produtivo, sustentável e humano.

*Daniel Carrara é diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar)

As ideias e opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva de seu autor e não representam, necessariamente, o posicionamento editorial da Globo Rural