Ações de MBRF e JBS caem com descoberta de foco de Newcastle em Santa Catarina
As ações de MBRF e BDRs da JBS, ambas produtoras e exportadoras de carnes de aves, bovina e suína, recuam nesta segunda-feira (19/10) após a confirmação, pelo Ministério da Agricultura, de foco de doença de Newcastle em uma criação comercial de perus em Nova Itaberaba (SC).
Os papéis da MBRF caíam 4% há pouco, para R$ 18,04 por ação, mas chegaram a recuar mais de 6% mais cedo. Já as BDRs (papéis que refletem as ações da companhia negociadas no mercado americano) da JBS registravam perda menos acentuada, de 1,78%, para R$ 65,27. Segundo fontes ouvidas pela reportagem, a granja de perus de Nova Itaberaba onde foi detectado o caso é integrada à MBRF. Procurada, a companhia não comentou.
Na avaliação do analista da Genial Investimentos, Luca Vello, a diferença entre as perdas dos papéis da MBRF e JBS reflete a exposição das duas companhias às exportações de aves.
Na MBRF, aves produzidas e exportadas do Brasil pesam mais no resultado, enquanto a JBS é mais diversificada, com carne bovina e frango fora do Brasil. O risco que o mercado precifica é comercial, afirmou Vello em nota enviada à reportagem.
O analista lembrou que a China, maior cliente do Brasil, exige aves de áreas livres de Newcastle e que, em 2024, quando foi identificado caso da doença em Anta Gorda (RS), o país asiático parou de comprar de todo o Brasil, retomando importações do país e excluindo o Rio Grande do Sul em agosto. Compras do Estado só foram restabelecidas em janeiro deste ano.
Segundo Vello, se uma eventual restrição ficar no entorno do foco,
o efeito é pequeno; se Santa Catarina for fechada para mercados relevantes, o peso cai sobre quem mais exporta de lá.
A confirmação do caso da Doença de Newcastle na granja comercial catarinense foi feita nesta segunda-feira, pelo Ministério da Agricultura, perto da hora do almoço. A ocorrência foi identificada a partir de uma coleta de vigilância ativa do Ministério em 21 de setembro. O caso estava em investigação desde então e foi confirmado por testes realizados pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA) da pasta neste domingo (18/10).
Segundo o secretário de Defesa Agropecuária substituto, Allan Alvarenga, não houve movimentação dos cerca de seis mil animais de corte da granja, ou seja, eles não saíram do local desde o início do alojamento, o que reduz o risco de disseminação do vírus.
O caso mais recente da doença havia sido registrado em 17 de julho de 2024, em Anta Gorda. Na ocasião, o Brasil aplicou um auto-embargo das vendas externas. De lá para cá, no entanto, alguns protocolos sanitários bilaterais foram atualizados para evitar a interrupção de fluxo comercial.
O ministério disse não ter ainda o levantamento detalhado de mercados potencialmente afetados. Em 2024, o caso de Newcastle foi controlado e considerado oficialmente encerrado pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) 90 dias depois.
A produção de peru do Brasil, de 136,7 mil toneladas em 2025, é pequena quando comparada à de frango, quase 15,3 milhões de toneladas. O país exportou no ano passado 65,8 mil toneladas de peru para 88 países, segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
Já os embarques de frango, nos quais o Brasil é líder mundial, somaram 5,324 milhões de toneladas, de acordo com a ABPA. Santa Catarina foi o segundo maior estado exportador de frango do país, com 23,3% do total, atrás apenas do Paraná, de onde saiu 40,8% de todo o volume de carne de frango enviado ao exterior no ano passado. Um eventual auto embargo das exportações valeria para todos os tipos de aves.