Açúcar sobe e atinge maior valor desde dezembro de 2024
Os preços do açúcar no mercado internacional alcançaram ontem o maior patamar em quase dois anos, em meio às chuvas volumosas no Centro-Sul do Brasil, que estão interrompendo a produção sucroalcooleira da região. O aumento das precipitações está relacionado ao fortalecimento do fenômeno climático El Niño.
Os contratos do açúcar demerara negociados na bolsa de Nova York com vencimento em março de 2027 (atualmente, os mais negociados) fecharam ontem cotados a 21,11 centavos de dólar a libra-peso, enquanto o vencimento maio de 2027 fechou a 20,23 centavos de dólar a libra-peso, os maiores patamares desde dezembro de 2024, segundo o Valor Data.
Estão previstas chuvas entre 50 milímetros e 80 milímetros no acumulado da semana no Centro-Sul. Para a semana que vem, as chuvas devem superar 120 milímetros. Na semana posterior, seguirá com volumes na faixa de 80 milímetros. Essas proporções paralisam a atividade de colheita, afirmou Maurício Murici, analista da Safras & Mercado.
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Quanto mais as chuvas atrapalham a colheita, menor a disponibilidade imediata de açúcar do Brasil. Na primeira quinzena de setembro, a moagem de cana do Centro-Sul da safra 2026/27 registrou pela primeira vez atraso em relação ao ciclo 2025/26, e a produção de açúcar do acumulado da temporada estava 14% menor do que um ano antes, em 26,1 milhões de toneladas, uma diferença bruta de 4,3 milhões de toneladas na comparação anual.
O mercado de açúcar, que enfrentava um ciclo de baixa até julho, começou a reagir em agosto com as confirmações de estabelecimento do El Niño e projeções de queda de produção em importantes regiões fornecedoras, como Índia, Tailândia e Europa. Os preços saíram da casa dos 14 centavos de dólar a libra-peso para oscilarem em torno de 19 centavos de dólar a libra-peso durante setembro. Apenas desde o início de agosto, os preços em dólares já subiram 30%.
Para Europa e Tailândia, que impactam na balança de exportações, há perspectivas de quebra de safra relevantes. Então o Brasil seria mais importante e mais protagonista do que já é nas exportações, observou Marcelo Filho, analista de inteligência de mercado da StoneX.
Na semana passada, os preços voltaram a subir diante da queda do dólar em relação ao real, após o resultado do primeiro turno das eleições no Brasil, disse Filho. A queda do dólar desestimula as exportações brasileiras. Ontem, porém, a alta do açúcar não teve correlação com o câmbio, já que o dólar subiu em relação ao real.