Agronegócio

AGCO tem lucro líquido 83,09% menor no terceiro trimestre

Autor: Por Mariana Letizio — São Paulo Publicado em: Fonte: Globo Rural
AGCO tem lucro líquido 83,09% menor no terceiro trimestre
Foto: AGCO/Divulgação

A AGCO, fabricante de máquinas agrícolas de marcas como Fendt, Massey Ferguson e Valtra, registrou lucro líquido de US$ 51,7 milhões no terceiro trimestre de 2026, ou US$ 0,75 por ação, queda de 83,09% em relação ao mesmo período de 2025, quando o lucro somou US$ 305,7 milhões, ou US$ 4,09 por ação. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (29/10) pela companhia.

A América Latina, Europa e Oriente Médio lideraram as quedas de vendas no trimestre. No acumulado do ano, a América Latina é a região com maior redução dos negócios.

O lucro líquido ajustado, que exclui determinados itens contábeis, totalizou US$ 72,9 milhões entre julho e setembro, recuo de 28,1% ante os US$ 101,4 milhões registrados no terceiro trimestre de 2025. O lucro ajustado por ação caiu de US$ 1,35 para US$ 1,05 na mesma comparação.

As vendas líquidas somaram aproximadamente US$ 2,3 bilhões no período, queda de 8,6% na comparação anual. Desconsiderando o efeito positivo da variação cambial, o recuo foi de 8,7%.

Segundo Eric Hansotia, presidente da companhia, os resultados refletem a demanda mais fraca do setor em mais de uma década. A queda na renda agrícola, os custos elevados dos insumos e as incertezas regulatórias e comerciais levaram os produtores a adotar uma postura mais cautelosa.

A queda na renda agrícola e a incerteza nos mercados agrícolas globais continuaram a afetar o sentimento dos agricultores, com as condições se deteriorando ainda mais na Europa, Oriente Médio e América Latina. Continuamos focados no que podemos controlar: ajudar os agricultores a melhorar sua situação financeira, ao mesmo tempo em que fortalecemos nossa estrutura de custos
, afirmou Hansotia no comunicado.

A América Latina foi a região com maior contração dos negócios no terceiro trimestre, quando desconsiderado o efeito positivo da conversão cambial. As vendas líquidas na região caíram 19,1% no período, em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.

A menor demanda do setor também contribuiu para uma queda de US$ 13 milhões no lucro operacional, na comparação anual, principalmente devido à redução significativa dos volumes de vendas e produção. No acumulado de nove meses, as vendas líquidas na região estão 22,7% menores do que no mesmo período de 2025, também excluindo o efeito cambial.

No Brasil, as vendas de tratores no varejo recuaram 17% nos primeiros nove meses de 2026 ante igual período de 2025, com menor demanda por máquinas de maior porte. A comercialização de colheitadeiras diminuiu ainda mais na mesma base de comparação, 38%.

Os produtores continuaram pressionados pelos juros elevados, restrições de crédito e condições econômicas desfavoráveis, de acordo com a companhia. As incertezas econômicas e políticas também reduziram a confiança no setor e levaram ao adiamento das compras de máquinas, disse a AGCO.

Europa e Oriente Médio

Na área que compreende Europa e Oriente Médio, as vendas líquidas da AGCO diminuíram 18,1% no terceiro trimestre de 2026 em comparação a igual intervalo de 2025, excluindo o impacto da conversão cambial desfavorável. A queda, de acordo com a empresa, foi impulsionada principalmente pela menor demanda, especialmente na Alemanha, França, Itália e Espanha.

O lucro operacional no terceiro trimestre de 2026 na área foi US$ 115,1 milhões menor do que no mesmo período de 2025, devido principalmente aos níveis "significativamente" mais baixos de vendas e produção, disse a empresa na nota.

América do Norte

Na América do Norte, as vendas de tratores agrícolas no varejo diminuíram 9% nos primeiros nove meses de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, com maior retração nas categorias de maior potência. As vendas de colheitadeiras recuaram 10%.

Os preços das commodities e as incertezas sobre o comércio e a demanda para exportação continuaram a pressionar a rentabilidade agrícola e a limitar os gastos dos produtores. A expectativa é de que a demanda permaneça abaixo dos níveis históricos de meio de ciclo até o fim de 2026.

As vendas líquidas na América do Norte aumentaram 35,1% no terceiro trimestre de 2026 na comparação anual, excluindo o impacto da conversão cambial desfavorável. O resultado foi sustentado pelo aumento de vendas de unidades da maioria das categorias de equipamentos, especialmente tratores de alta potência e de gama média, além de peças.

Projeções

A AGCO projeta vendas líquidas entre US$ 9,8 bilhões e US$ 10 bilhões em 2026, margem operacional ajustada de cerca de 7% e lucro ajustado por ação de aproximadamente US$ 5,50.

As estimativas consideram a disciplina de preços, o controle de custos e o alinhamento da produção à demanda do mercado, além das políticas tarifárias vigentes em 29 de outubro de 2026 e das estratégias adotadas pela companhia para mitigar seus efeitos. Eventuais mudanças nas tarifas ou nas respostas a essas políticas podem afetar as projeções.