Após separação, Corteva mira crescimento acima do mercado no Brasil e reforça aposta em biológicos
A fragmentação geopolítica, com conflitos armados e disputas comerciais, tem aumentado a complexidade da atuação das grandes empresas do agronegócio global. Na visão da Corteva, multinacional que agora passa a se dedicar exclusivamente à proteção de cultivos, o Brasil é um mercado estratégico nesse cenário tanto pelo potencial de crescimento quanto pela importância para a segurança alimentar global.
De acordo com Brook Cunningham, diretora comercial (CCO), o objetivo da empresa no país é crescer acima dos níveis do mercado, inclusive no segmento de biológicos (que tem crescido entre 6% e 8% ao ano).
Há uma adoção ainda mais alta [de biológicos] aqui do que em outras partes do mundo, portanto será certamente um grande foco para nós, disse a executiva durante o Global Agribusiness Forum (GAFFFF), em São Paulo.
O cenário de instabilidade geopolítica não alterou a estratégia da Corteva de manter sua presença nos principais mercados agrícolas, mas levou a empresa a adaptar sua operação global. Brook ressaltou que o desafio é ajustar cadeias de suprimentos e investimentos sem abrir mão de regiões estratégicas, como Brasil e China.
Neste momento, não é o caso [de reavaliar decisões sobre investimentos], com exceção de certos países dos quais decidimos sair, como a Rússia, devido à guerra. Mas, fora isso, precisamos ser capazes de operar em qualquer cenário geopolítico em que estejamos inseridos, afirmou.
Mudanças constantes em tarifas atrapalham as empresas, segundo a executiva, uma vez que é necessário recalcular custos e descobrir como ajustar as cadeias de suprimentos.
No entanto, existe apenas um número limitado de grandes regiões produtoras de grãos e oleaginosas no mundo. Não podemos nos dar ao luxo de escolher seletivamente em quais delas atuaremos, acrescentou.
Brook ressaltou que, mesmo em mercados como o da China, que vive um momento de tensão comercial com os Estados Unidos, a Corteva continua buscando parcerias e trabalhando com empresas de tecnologia locais.
É preciso saber se adaptar, pois não podemos tomar partido político, temos de ser capazes de operar em qualquer ambiente político vigente a qualquer momento, afirmou.
Isso torna minha vida complicada e interessante o tempo todo.
Brook esteve em São Paulo na última quinta-feira (1º/10), data que marcou o início das operações da Corteva como uma empresa independente de proteção de cultivos. A recém-criada Vylor passa a responder pelo segmento de sementes e genética avançada.
A Corteva conta atualmente com um pipeline de US$ 11 bilhões, segundo Brook - ela não revelou quanto desse valor será direcionado ao Brasil. A empresa deve lançar 12 novos ativos nos próximos dez anos, incluindo sete novos ingredientes ativos e cinco produtos biológicos.
Embora mantenha o radar ligado para aquisições, a Corteva não vê o crescimento inorgânico como uma necessidade após a separação de seus negócios. Segundo Brook, a empresa pretende combinar desenvolvimento próprio com parcerias, licenciamento de tecnologias e eventuais aquisições de moléculas e empresas de biológicos.