Agronegócio

Beterraba na dieta de bovinos mais que dobra ômega-3 na carne, diz estudo

Autor: Por Rafaella Dorigo — São Paulo Publicado em: Fonte: Globo Rural
Beterraba na dieta de bovinos mais que dobra ômega-3 na carne, diz estudo
Foto: Pixabay

A beterraba forrageira pode ser uma alternativa ao milho na alimentação de bovinos de corte durante o inverno. Um estudo do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA), da Argentina, identificou mais que o dobro de ácidos graxos ômega-3 na carne de novilhos terminados com a planta em comparação com animais alimentados com uma dieta à base de milho em confinamento.

De acordo com o portal La Nación, o trabalho avaliou a qualidade da carne de animais que consumiram beterraba forrageira em pastoreio direto e comparou os resultados com os de bovinos alimentados em confinamento com uma dieta composta por 80% de milho inteiro e 20% de outros componentes. As amostras foram analisadas em laboratórios do instituto em Castelar, na província de Buenos Aires.

Além da diferença na concentração de ômega-3, os pesquisadores observaram uma relação entre ômega-6 e ômega-3 inferior a 3 na carne dos animais alimentados com beterraba. No grupo que recebeu milho, o índice ficou acima de 5.

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Segundo Verónica Favere, pesquisadora da Agência de Extensão Rural do Valle Medio do INTA em entrevista ao portal argentino, os ácidos graxos ômega-3 têm funções importantes no organismo humano. No entanto, o experimento avaliou a composição da carne, e não os efeitos de seu consumo sobre a saúde das pessoas.

Alternativa para o inverno

O interesse pela beterraba forrageira está relacionado à possibilidade de utilizá-la justamente quando a oferta de pastagens e outros recursos alimentares diminui. Nos vales irrigados da região da Norpatagônia, na Argentina, o cultivo pode ser aproveitado em pastoreio direto durante o outono e o inverno.

De acordo com o INTA, a estratégia também apresentou custo de alimentação inferior ao de uma dieta de terminação em confinamento baseada em milho. A instituição, porém, não divulgou valores absolutos nem o percentual de redução.

A planta tem potencial para produzir grandes volumes por hectare e pode ser consumida diretamente pelos animais, sem a necessidade de transportá-los para outras regiões para completar a fase de engorda.

Para Favere, a alternativa permite manter a atividade pecuária local durante um período de menor disponibilidade de forragem. A possibilidade de terminar os animais na própria região também contribui para agregar valor à produção local.

A alimentação com beterraba também provocou diferenças em outras características da carne. Os novilhos que consumiram a forrageira apresentaram carne com coloração mais escura e tendência a ser ligeiramente mais firme do que a dos animais terminados com milho. Ainda assim, as características permaneceram dentro dos parâmetros considerados aceitáveis pelos pesquisadores, e a gordura de cobertura teve coloração esbranquiçada semelhante nos dois grupos.

De acordo com a pesquisa, a carne apresentou características comparáveis às de sistemas baseados em pastagens. Já Gabriela Grigioni, do Instituto de Tecnologia de Alimentos do INTA, observou semelhanças no perfil de gordura em relação à carne produzida nesses sistemas.