Agronegócio

BNDES aprova R$ 250 milhões para investimento da Belterra

Autor: Por Camila Souza Ramos — São Paulo Publicado em: Fonte: Globo Rural
BNDES aprova R$ 250 milhões para investimento da Belterra
Foto: Ronaldo Rosa

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou um financiamento de R$ 250 milhões via Fundo Clima para a Belterra transformar 4 mil hectares de áreas degradadas na Amazônia em sistemas agroflorestais (SAFs) com foco na produção de cacau. O investimento total no projeto é de R$ 302 milhões.

Fazendas de produtores rurais parceiros da Belterra no Pará, situados nas proximidades da rodovia Transamazônica e de Carajás, e no município de Alta Floresta (MT), tocarão o projeto.

O financiamento vence em 15 anos, e tem cinco anos de carência. É a segunda transação do Fundo Clima com o Grupo Belterra. Em 2025, a empresa contratou R$ 100 milhões para um projeto de 2.750 hectares de agroflorestas em quatro Estados.

A nova operação integra o projeto Arco da Restauração, criado pelo banco de fomento para recuperar áreas desmatadas no sul da Amazônia, no chamado Arco do Desmatamento. O projeto está dentro do programa BNDES Florestas, para restaurar e conservar vegetação nativa.

O apoio do BNDES nos permite dar um novo salto de escala e reforça a estratégia de crescimento da Belterra. Estamos construindo uma nova base produtiva para o cacau brasileiro, em parceria com a indústria do chocolate e com produtores da Amazônia e da Mata Atlântica, transformando áreas degradadas em sistemas agroflorestais que geram renda, trabalho e floresta em pé. Cada hectare recuperado é um hectare que volta a produzir, a gerar renda e a abrigar biodiversidade
, afirmou Valmir Ortega, CEO da Belterra Agroflorestal.

Estamos mostrando que recuperar a floresta também pode significar produzir mais, gerar empregos e melhorar a renda de quem vive na Amazônia. O financiamento do Fundo Clima permite transformar áreas degradadas em sistemas produtivos sustentáveis, com árvores nativas, produção de alimentos e oportunidades para os agricultores. É esse modelo de desenvolvimento que queremos ampliar, unindo recuperação ambiental, inclusão produtiva e uma nova economia da floresta
, disse Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, ao Valor.

De acordo com o banco, com o dinheiro, a Belterra vai plantar aproximadamente 4,72 milhões de mudas, incluindo 25 espécies nativas da Amazônia. Uma delas será o cacau. Apenas a produção da amêndoa deve superar 12 mil toneladas por ano.

O cacau será cultivado em conjunto com espécies como açaí, castanheira, andiroba, ingá, ipê, jatobá e paricá, além de espécies de ciclo mais curto, como banana e mandioca. Os recursos garantirão a compra de sementes e mudas de associações locais.

As parcerias de plantio podem ser feitas via investimentos diretos da Belterra em áreas arrendadas ou em contratos de parceria rural. Nessa segunda opção, o produtor receberá uma remuneração fixa nos três primeiros anos, e a partir do quarto ano, quando os cacaueiros começam a dar frutos, passará a receber uma parcela da produção. A Belterra já tem um contrato de longo prazo, de no mínimo 15 anos, para a venda do cacau, mas não informa o nome da empresa compradora.

Ainda segundo a instituição de fomento, com os recursos a Belterra também vai ampliar viveiros, instalar sistemas de irrigação, comprar máquinas e equipamentos agrícolas e instalar estruturas de fermentação e secagem do cacau. A irrigação será utilizada em áreas específicas para reduzir os impactos dos períodos de estiagem e aumentar a produtividade.

A empresa comprometeu-se a fornecer aos produtores assistência técnica, capacitação em práticas agroflorestais e apoio à comercialização. O projeto também prevê regularização documental e certificação dos produtores.

O plantio e início dos ciclos produtivos deverá ocorrer até 2031. Os sistemas agroflorestais permitirão a captura de cerca de 1,2 milhão de toneladas de carbono equivalente até 2031.