Brasil deve anunciar novas aberturas de mercado na próxima semana, diz secretário
O Brasil deve anunciar na próxima semana a abertura de pelo menos oito mercados para o agronegócio brasileiro. Foi o que afirmou, neste sábado (17/10), o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Augusto Billi. Sete desses mercados devem ser na África.
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Tem um país da África que deve abrir alguns mercados. Estamos concluindo a checagem exatamente, mas devemos anunciar na semana, disse ele, em conversa com jornalistas no primeiro dia do Sial Paris, na capital francesa.
Na semana passada, o governo federal anunciou o cumprimento da meta de abrir 700 mercados para o agro brasileiro desde o início da atual gestão, em 2023. Billi afirmou que, apesar de não ser uma nova meta, o Brasil tem condições de encerrar este ano com 750 aberturas.
O Ministério considera dois critérios para definir um mercado aberto. O primeiro é a colocação de pelo menos um produto do agro em um país que, até o momento, não comprada do Brasil. O segundo é a inclusão de um novo produto na pauta de exportações de um país que já era comprador.
Na visão do secretário, o Sial Paris funciona como uma grande vitrine para o agro brasileiro mostrar suas vantagens competitivas no mercado global. Destacou que o país tem capacidade de aumentar o volume e a qualidade de sua produção com sustentabilidade.
O Ministério atua não só na abertura, mas tem trabalhado na promoção comercial, para fazer os produtos serem conhecidos pela sua qualidade, sanidade, sua competitividade. O trabalho de abertura de mercados não para, disse.
O Brasil participa do Sial Paris deste ano com 156 empresas. São 109 nos pavilhões coordenados pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil). Treze são cooperativas e 9 comerciais exportadoras. Outras 47 companhias estarão nos espaços em parceria com setores da indústria.
Fátima Torres, presidente da União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes) destacou que as cooperativas trouxeram a Paris os produtos da sociobiodiversidade brasileira.
O mundo quer consumir os produtos e cada contrato que nossas cooperativas fazem com qualquer país da União Europeia é onde a gente tem mais renda e mais segurança alimentar no campo. Vamos avançar ainda mais na exportação das nossas cooperativas e estamos firmes para buscar cada vez mais mercados para a agricultura familiar, disse.
Apex Brasil investiu R$ 28 milhões no Sial Paris
Entre os segmentos que integram a delegação brasileira, estão carnes, ovos, alimentos congelados, bebidas, grãos, frutas e vegetais. A Apex Brasil informa que é a maior representação do país já registrada na Sial Paris.
A agência investiu cerca de R$ 28 milhões nos seus espaços de promoção. A expectativa é de que as empresas brasileiras gerem cerca de R$ 3,5 bilhões em negócios durante e nos meses seguintes ao evento.
O presidente da Apex Brasil, Laudemir Müller, destacou que o agro brasileiro vive um "desafio muito grande" no comércio internacional. No entanto, ainda consegue bater recordes de exportação de produtos para os mais diversos mercados pelo mundo.
O Brasil tem se destacado no mundo porque tem conseguido se diversificar. E os países estão buscando a diversificação. O mundo vê o Brasil como um país confiável, que tem altos padrões no seu agronegócio e a diversificação está vindo, disse.
Durante a inauguração do pavilhão brasileiro no Sial Paris, ele pontuou que, enquanto o agro sofre efeitos de bloqueios da União Europeia, cotas da China e das tarifas do governo dos Estados Unidos, as vendas para outros países estão crescendo, caso da Índia.
O Brasil, mesmo com todas essas dificuldades, muito provavelmente, vai bater os Estados Unidos neste ano e se tornar o maior exportador de alimentos do mundo, ressaltou.
Os 700 mercados abertos já renderam quase R$ 6 bilhões a mais em exportações, acrescentou.
Apesar do debate em torno das exportações de produtos de origem animal, Müller avaliou de forma positiva a relação comercial do agro do Brasil com a Europa. Disse que a entrada em vigor do acordo Mercosul-União Europeia, ainda que de forma provisória, impulsiona os negócios.
A gente enfrenta questões sanitárias, mas a gente encara isso com muita tranquilidade. O que mais importa é que temos um ambiente de acordo, de negociação, de abertura, de redução de tarifas, onde as autoridades se falam, e temos a melhor expectativa possível, disse.
*O jornalista viajou a convite da Apex Brasil