Chuvas afetam plantio de soja e colheita de trigo no Paraná
As chuvas intensas que caem no Centro-Sul, sob a influência do fenômeno El Niño, estão interrompendo o avanço das máquinas nas lavouras do Paraná e afetando o ritmo de colheita das safras de inverno e do plantio das safra de verão.
Conforme boletim do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento do Paraná, o plantio da soja atingiu 39% da área prevista, e o plantio de milho alcançou 90%. Estes percentuais estão aquém do patamar desejado pelos produtores, que buscavam acelerar os trabalhos.
Nas culturas de inverno, as chuvas frequentes estão comprometendo a qualidade do trigo nas lavouras pendentes de colheita.
O quadro indica novos rebaixamentos nas estimativas oficiais de produção do Estado e mantém sustentadas as cotações do trigo de alta qualidade no mercado interno, apontou o órgão.
Carlos Hugo Godinho, agrônomo do Deral, explica que a ocorrência de muitas chuvas somadas ao tempo nublado dificulta a secagem do trigo que ainda está no campo, e também do solo, o que inviabiliza a entrada de máquinas para o plantio da soja.
Já era esperado que chovesse mais, porém, a esperança era de que isso acontecesse com janelas melhores de sol, comentou.
A maior preocupação, segundo ele, é com a qualidade do trigo. O levantamento do Deral mostrou que houve uma piora na qualidade das plantações. Nos 182 mil hectares da área que ainda não foi colhida no Paraná, 12% foi classificada como em situação ruim, 42% em condições médias e 46% boas.
O produtor Leendert de Geus, de Tibagi, na região dos Campos Gerais, disse que está aguardando o tempo melhorar para seguir com os trabalhos nas lavouras da propriedade.
Não conseguimos fazer nenhum trabalho no campo nos últimos dias, a expectativa é que haja abertura de sol de sábado até terça. Teremos quatro dias para aproveitar a janela para plantar soja e colher trigo. E pulverizar o milho já instalado no começo de setembro, relatou.
De Geus plantou 270 hectares nesta safra de trigo e conseguiu colher 100 hectares até o momento.
A qualidade do grão já foi afetada pela quantidade de chuva, afirmou o produtor. Depois da colheita de trigo, ele pretende usar a área para o plantio de soja, que deve ocupar 700 hectares na propriedade.
Também devido às chuvas, até o momento foi possível semear somente 180 hectares da oleaginosa. Com outros 100 hectares de milho cultivados, ele aguarda a interrupção das precipitações para realizar as aplicações de herbicidas e inseticidas recomendadas para o estágio inicial do cultivo, assim como aplicação de nitrogênio.
Espero deixar em dia essas aplicações com a previsão de melhora no clima, afirmou.
O produtor Geraldo Morsink, que também cultiva soja e cereais de inverno em Piraí do Sul, nos Campos Gerais, relatou condições semelhantes.
A situação está preocupante. Esta semana choveu muito e está tudo parado nas lavouras. Nem plantio, nem colheita, muito menos tratos culturais, lamentou.
Já o ritmo de plantio de soja nesta safra 2026/7 está acompanhando o da safra passada. Segundo o Deral, a semeadura alcançou 39% dos 5,7 milhões de hectares previstos para o cultivo no Estado. O percentual é igual ao registrado no mesmo período da safra anterior.
O plantio começou em ritmo superior à média histórica.
A preocupação dos produtores com os possíveis efeitos do El Niño contribuiu para acelerar os trabalhos [no início da janela de plantio]. Em algumas cidades, as precipitações acumuladas em outubro já ultrapassaram a média histórica para o mês inteiro, o que resultou na redução do ritmo de plantio, informou o Deral, em boletim.
O plantio de milho, por sua vez, alcançou 90% da área prevista para a safra, estimada em 371 mil hectares.
As chuvas também estão atrapalhando o desenvolvimento e a colheita da cevada no Paraná.
A chuva também tem dificultado a colheita e deve causar perdas na qualidade dos grãos, além do risco da ocorrência de doenças, explica Godinho. A perspectiva é que o próximo levantamento de safra do Deral, que será divulgado no dia 29, aponte para perdas de produtividade.
Em seu último boletim em que trata do cereal, divulgado no dia 13, o Deral informou que a colheita estava em 28% da área.
Na região dos Campos Gerais, a colheita de cevada está mais adiantada, uma vez que o plantio foi antecipado. O produtor Leendert de Geus plantou a cevada em maio e já colheu todo o cereal, com padrão cervejeiro, antes do início das chuvas. Junto com Guarapuava, a região concentra 88% do cultivo nacional do grão.