Agronegócio

Chuvas ligam alerta para safra de soja no Paraguai

Autor: Por Paulo Santos — Campina Grande (PB) Publicado em: Fonte: Globo Rural
Chuvas ligam alerta para safra de soja no Paraguai
Foto: Mauricio Tonetto/SecomRS

O clima passou a ser o principal ponto de atenção da safra de soja 2026/27 no Paraguai. Segundo análise da StoneX, chove em excesso em diversas regiões produtoras, há poucos dias de sol e as temperaturas estão abaixo do normal para esta época do ano.

O início de novembro tem sido particularmente frio, uma condição atípica para o período. Se esse cenário persistir, poderá começar a afetar o desenvolvimento das lavouras
, afirma, em nota, Larissa Arboza Alvarez, analista de inteligência de mercado da StoneX.

De acordo com a consultoria, a preocupação com a safra aumentou nos primeiros dias do mês, quando caiu granizo no norte do Alto Paraná. Mais de 5 mil hectares foram afetados. O número ainda é pequeno perto dos cerca de 830 mil hectares de soja plantados na região. Mesmo assim, o episódio acende um alerta porque atingiu a principal região produtora do país.

O Alto Paraná concentra mais de 33% da produção nacional de soja. Por isso, a evolução das condições meteorológicas na região será determinante nas próximas semanas
, diz Alvarez.

Apesar do cenário adverso no momento, a StoneX manteve suas projeções de produção. Para a safra 2026/27, a estimativa total de soja é de 11,49 milhões de toneladas, sendo 9,86 milhões de toneladas de soja primeira safra e 1,28 milhão de toneladas de soja safrinha. A produção de milho da safra 2027 continua projetada em 5,73 milhões de toneladas.

Por enquanto, os eventos climáticos pedem mais cautela e monitoramento, mas não justificam uma revisão das estimativas
, avalia Larissa Arboza Alvarez.
O ponto central nas próximas semanas será observar se o excesso de umidade, as baixas temperaturas e a menor radiação solar persistem e começam a se traduzir em perdas efetivas de potencial produtivo
, acrescenta.

Enquanto o risco climático cresce, as vendas seguem paradas. Cerca de 23% da soja foi comercializada, praticamente o mesmo nível do levantamento anterior. No milho, as vendas ainda não chegaram a 80%. Nesse caso, o ritmo lento das compras e a queda das cotações internacionais continuam pressionando os preços no mercado interno.