Agronegócio

Chuvas no Paraná aumentam custos de produção e geram prejuízos no campo

Autor: Por Carolina Mainardes — Ponta Grossa (PR) Publicado em: Fonte: Globo Rural
Chuvas no Paraná aumentam custos de produção e geram prejuízos no campo
Foto: Comunicação Sistema Faep

As chuvas em excesso no Paraná têm desafiado produtores das culturas de inverno e de verão. Além de afetar as operações de plantio e colheita no campo, o planejamento financeiro vem sendo alterado nas propriedades rurais.

Não há uma estimativa oficial, mas os produtores terão mais problemas com as doenças nas lavouras, devido à umidade, e por isso devem precisar de mais aplicações [de defensivos]
, comenta Carlos Hugo Godinho, engenheiro agrônomo do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária.

Mas a interferência do clima pode também não permitir que as aplicações sejam realizadas na lavoura no momento correto, atingindo a produtividade das lavouras.

As aplicações dependem das condições ideais de clima e solo
, acrescenta Godinho. As duas últimas semanas trouxeram instabilidade ao Paraná, com chuvas frequentes, seguidas de períodos de nebulosidade e de uma massa de ar frio e seco, até a volta da chuva nesta sexta-feira (23/10).

Em Engenheiro Beltrão e Roncador, no Noroeste do Estado, Mauro César Volponi dos Santos enfrenta uma situação preocupante. Com aproximadamente 750 hectares destinados à soja e 180 hectares ao trigo, o produtor estima um atraso de cerca de 20 dias nos trabalhos. Até o momento, o agricultor semeou aproximadamente 30% da área de soja.

O excesso de chuva também interfere nas operações de controle de plantas daninhas. Santos já identifica a necessidade de reaplicar herbicidas em algumas áreas, principalmente para combater a buva, com despesa adicional de R$ 200 por hectare nas áreas que exigirem novas intervenções. O custo pode aumentar mais se houver necessidade de replantio ou maior pressão de doenças.

Segundo Santos, uma das semanas mais críticas teve acumulado de 250 milímetros nas áreas em que trabalha, com erosão, encharcamento e surgimento de pontos de afloramento de água.

Não conseguimos plantar e ainda tenho uma parte da área de trigo para colher
, resume.

Nos municípios de Manoel Ribas e Ivaiporã, no Vale do Ivaí, o produtor Marcelo Alberton destina 87,1 hectares à soja e 43 hectares ao trigo. O agricultor relata que as chuvas de setembro e outubro impediram a colheita do cereal no momento adequado e alteraram o planejamento da safra seguinte.

Do início de setembro até agora, tivemos apenas seis dias com abertura de sol que permitiram o plantio da soja. No entanto, ainda havia trigo para colher
, afirma.

Produtor Marcelo Alberton atrasou a colheita do trigo, e lavouras de verão nascem com o solo encharcado

Comunicação Sistema Faep

A intenção era semear primeiro as variedades de soja de ciclo longo. Como isso não foi possível, Alberton passou a trabalhar com a alternativa de cultivares de ciclo curto. A sequência de dias chuvosos, porém, estreitou o período disponível para executar as operações. A preocupação também alcança as lavouras implantadas, nas quais ele observa emergência e crescimento irregulares.

As plantas estão nascendo com o solo encharcado, o que dificulta o enraizamento. Também dificulta a entrada das máquinas para pulverização e aplicação de fungicidas e inseticidas nos momentos certos
, ressalta.

Trigo perde qualidade e valor

Boletim do Deral do último dia 20 aponta condições preocupantes para o trigo, em fase de colheita no Estado. Com 82% da área colhida, 42% apresentaram condições médias e 13% ruins.

Muitos produtores precisavam fazer aplicações nessa etapa, mas não conseguiram devido à impossibilidade de entrar com o maquinário na lavoura, uma vez que o solo ficou muito suscetível
, comenta Godinho.

Segundo ele, em algumas regiões menos de 10% do trigo está apresentando queda no peso hectolítrico, conhecido como PH, o que indica que há redução da qualidade do grão. A permanência no campo após o momento adequado de colheita do cereal amplia a exposição dos grãos à umidade. O prejuízo pode ocorrer tanto pela redução da quantidade colhida quanto pela perda de qualidade, que afeta a classificação comercial e a remuneração do produtor.

Alberton e Santos relatam queda no PH do trigo, e do "Falling Number" ou Número de Queda, indicadores utilizados na avaliação comercial do cereal. No caso de Santos, parte do trigo já foi classificada para outros usos.

A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) reforça a atuação com o intuito de minimizar os impactos aos produtores.

Os prejuízos das chuvas vão além da lavoura, uma vez que aumentam os custos de produção, comprometem a renda e dificultam o planejamento. Por isso, atuamos na defesa de um seguro rural e de políticas públicas que permitam ao produtor condições de enfrentar essas perdas e manter sua atividade
, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.