Agronegócio

Clima errático, não necessariamente o 'El Niño', pode ter elevado preço dos alimentos, diz IBGE

Autor: Por Alessandra Saraiva — Rio de Janeiro Publicado em: Fonte: Globo Rural
Clima errático, não necessariamente o 'El Niño', pode ter elevado preço dos alimentos, diz IBGE
Foto: Canva/Creative Commons

Um comportamento mais errático do clima, e não necessariamente efeitos do fenômeno climático "El Niño" pode ter prejudicado oferta de lavouras e safras, em setembro, a diminuído a oferta e, com isso, tornado a inflação dos alimentos mais elevada. A hipótese foi levantada por Fernando Gonçalves, economista do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ao detalhar a inflação oficial brasileira, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculada pelo IBGE.

O IPCA subiu 0,82% em setembro, após cair 0,32% em agosto. Um dos componentes que ajudaram nessa mudança de trajetória de preços, disse Gonçalves, foi comportamento do grupo alimentação e bebidas, que tem peso de 25% no cálculo total do indicador. Em agosto, os preços no grupo alimentício caíram 0,34%, mas subiram 0,83% em setembro.

Com isso, tanto alimentação no domicílio quanto fora do domicílio, segmentos também mapeados dentro da ótica do IPCA, avançaram, em setembro, com altas respectivas de 0,96% e de 0,48%, informou Gonçalves.

Ele foi questionado se o aumento dos preços dos alimentos poderia ter sido causado pelo "El Niño". Esse é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento de águas no centro e no leste do Oceano Pacífico Equatorial. Essa mudança no oceano desregula a atmosfera e altera os padrões de chuva e temperatura em todo o planeta. E isso afeta produção agrícola, no mundo.

Eu adotaria cautela ao citar o 'El Niño' [como causa de comida mais cara]
, afirmou. O especialista ponderou que as notícias sobre o tema apontam que efeitos, do fenômeno climático, serão mais evidentes somente a partir de novembro.

Mas ele admitiu que as mudanças mais estruturais, do clima, podem ter contribuído para alimentos mais caros. O economista comentou recentes notícias, de chuvas fortes no Sudeste e no Sul, atípicas para esta época do ano. "A natureza, o clima, isso sim impacta [produção agrícola]", disse.

Sem chuva e sem sol, nas medidas certas, acaba por ter alguma influência [na oferta de alimentos] que chega no bolso do consumidor final
, afirmou.