Agronegócio

Como o Brasil levou o café para as pistas da Fórmula 1

Autor: Por Rafaella Dorigo — São Paulo Publicado em: Fonte: Globo Rural
Como o Brasil levou o café para as pistas da Fórmula 1
Foto: Blick Sport/RDB/ullstein bild via Getty Images

Com o Grande Prêmio de São Paulo marcado para este domingo (8/11), em Interlagos, vale lembrar que o agronegócio nacional já ocupou espaço na Fórmula 1 muito antes de os combustíveis sustentáveis ganharem destaque nas discussões sobre o futuro do setor. Nas décadas de 1970 e 1980, marcas ligadas ao café e ao açúcar brasileiros chegaram às pistas internacionais por meio de patrocínios que tiveram os irmãos Emerson e Wilson Fittipaldi como protagonistas.

Um dos exemplos é a marca Café do Brasil, do Instituto Brasileiro do Café (IBC), que estampou o capacete de Emerson Fittipaldi durante sua passagem pela Fórmula 1. Um registro publicado no Diário do Congresso Nacional, em junho de 1974, já mencionava a marca entre os patrocinadores do piloto.

A iniciativa fazia parte dos esforços de divulgação do café brasileiro no exterior, usando a visibilidade internacional de Emerson para promover o produto nacional.

A presença do agro na Fórmula 1 foi além dos patrocínios individuais. Em 1975, os irmãos Fittipaldi colocaram na pista uma equipe própria, que teve o financiamento da Copersucar, empresa brasileira do setor sucroenergético.

Emerson Fittipaldi no GP da Espanha de 1977, correndo na equipe Copersucar-Fittipaldi

David Phipps/Sutton Images/Getty Images

A equipe brasileira de Fórmula 1

O projeto começou a ser desenvolvido em 1973, a partir da ideia de Emerson e Wilson Fittipaldi de criar uma escuderia brasileira para disputar a categoria. A parceria com a Copersucar viabilizou financeiramente a iniciativa.

De acordo com a Fórmula 1, Emerson decidiu deixar a McLaren, depois de conquistar dois títulos mundiais, para se juntar ao irmão. A equipe estreou no Grande Prêmio da Argentina, em janeiro de 1975, com o modelo FD-01, projetado por Ricardo Divila.

O primeiro piloto foi Wilson Fittipaldi. Emerson passou a integrar a escuderia em 1976, após sua saída da McLaren. A equipe ficou conhecida como Copersucar-Fittipaldi, em referência à patrocinadora, e posteriormente adotou o nome Fittipaldi Automotive.

Ligada à produção e à comercialização de açúcar e etanol, a Copersucar levou sua marca às pistas em uma época em que a Fórmula 1 ampliava sua projeção internacional. O patrocínio também colocou uma empresa brasileira do setor sucroenergético em evidência na principal categoria do automobilismo.

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Pódio no Grande Prêmio do Brasil

Um dos resultados mais importantes da escuderia ocorreu em 1978, quando Emerson Fittipaldi terminou o Grande Prêmio do Brasil na segunda colocação. Foi o primeiro pódio da equipe na categoria, conquistado diante do público brasileiro.

Naquele ano, a escuderia terminou o campeonato de construtores na sétima posição, à frente de equipes tradicionais da Fórmula 1, como McLaren e Renault, segundo reportagem do ge.

A equipe permaneceu na categoria até 1982. Não chegou a conquistar uma vitória, mas teve em seu histórico dois elementos brasileiros ligados ao agronegócio: o café estampado no capacete de Emerson e o açúcar associado ao patrocínio da Copersucar.