Compras de soja da China mudaram dinâmica de preços no mercado externo
O aquecimento da demanda por soja dos Estados Unidos motivou uma alta mais expressiva dos preços do grão na bolsa de Chicago.
Desde setembro, após a China se comprometer cada vez mais com importações dos EUA, os preços rapidamente se consolidaram acima dos US$ 13 o bushel na bolsa de Chicago. Além disso, os valores no cenário externo alcançaram ainda o maior patamar em dois anos, lembrou Isabela Garcia, analista de inteligência de mercado da StoneX, durante apresentação.
Após muitas idas e vindas nas negociações entre EUA e China, e ainda incertezas sobre a competitividade de soja americana, o mercado segue otimista com a aquisição de 25 milhões de toneladas pelo país asiático, disse a analista.
Segundo ela, desse volume de 25 milhões de toneladas de soja dos EUA, a China já teria importado 14,8 milhões.
As empresas estatais da China se comprometeram com essas compras [de 25 milhões de toneladas]. Se tudo correr bem na relação entre os dois países não devemos ter o cancelamento de novas aquisições. Por outro lado, não há garantia de que elas vão de fato acontecer, pontuou a analista.
Ela ainda lembrou que a firmeza dos preços tem relação com as altas recentes do petróleo, e também uma demanda firme por óleo de soja nos EUA, especialmente para a produção de biodiesel e diesel verde.
Para Isabela Garcia, no curto prazo, há uma tendência de preços mais deprimidos para a soja em Chicago, especialmente em função do avanço da colheita americana, que, até o momento, indica uma produção recorde no país, calculada pela StoneX em 126 milhões de toneladas, ou 3 milhões a mais que a previsão mais recente do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).
Em relação ao Brasil, a analista reforça que as atenções se voltam para o plantio, que até o momento segue sem grandes percalços para a produção, que em 2026/27 deverá crescer 0,4% segundo a consultoria, superando as 183 milhões de toneladas.