Agronegócio

Consumo de café no Brasil cresceu 2,29% até agosto, diz Abic

Autor: Por Raphael Salomão — São Paulo Publicado em: Fonte: Globo Rural
Consumo de café no Brasil cresceu 2,29% até agosto, diz Abic
Foto: Canva/Creative Commons

O consumo de café no Brasil aumentou 2,29% de janeiro a agosto deste ano em comparação com o mesmo período no ano passado. A informação é da Associação Brasileira da Indústria de café (Abic), que divulgou os números nesta terça-feira (22/9). Em volume, foram, 13,68 milhões de sacas de 60 quilos.

No segundo quadrimestre de 2026, o consumo aumentou 4,65% em comparação com o mesmo período em 2025. O resultado indica uma aceleração. Nos primeiros quatro meses do ano, a alta foi de 2,44%. Em volume, o consumo entre maio e agosto foi de 7,02 milhões de sacas de 60 quilos.

O diretor-executivo da Abic, Celírio Inácio, que apresentou os dados, associou o crescimento do consumo a vários fatores. Um deles é o aumento da oferta, com uma 'normalização' dos volumes de matéria-prima tanto da variedade arábica quanto da robusta/conilon.

A partir do mês de junho, existe uma maior tranquilidade no abastecimento por parte da indústria e isso converge com os preços apresentados e com a evolução do consumo
, disse Inácio.

Outro indutor do aumento do consumo foi o preço mais acessível ao consumidor. Os dados da Abic mostram uma diminuição em praticamente todas as categorias de produtos, comparando agosto de 2026 com o mesmo mês em 2025.

A maior queda, de 21,22%, ocorreu no torrado e moído nas variedades tradicional e extraforte. O valor médio, nesse período de 12 meses, passou de R$ 62,83 para R$ 49,50 o quilo. Em maio deste ano, esse valor estava em R$ 55,42 o quilo.

Na visão da Abic, os números mostram uma perspectiva de acomodação nos preços, com maior estabilidade em relação ao 2025. A exceção foi o segmento de cápsulas de dose única, com alta de 7,73% no valor equivalente ao quilo de café entre os meses de maio e agosto.

O preço oferecido possibilitou o varejo fazer suas promoções e isso ajudou a aquecer o mercado de café
, comentou Inácio.

O presidente da Abic, Pavel Cardoso, explicou que uma das apostas da indústria para estimular a demanda é ofertar inovação. Bebidas prontas, café gelado e até barras de proteína saborizadas são opções para atrair consumidores que ainda esperam por um estímulo para beber café.

Enxergamos nossas prateleiras se enchendo de café gelado, fazendo essa contraposição de consumo no verão com esse produto que é bastante aguardado pelo consumidor
, disse.

El Niño: indústria acompanha com cautela

Cardoso pontuou que a indústria acompanha com atenção os possíveis efeitos do fenômeno climático El Niño sobre a produção de café. Afirmou que, pelo menos até o momento, as floradas estão mais intensas, o que é positivo, mas a situação não permite deixar de lado a cautela.

Nas condições atuais, a expectativa para a próxima safra, a ser colhida em 2027, é de uma pressão maior de oferta de café arábica, em função da bienalidade negativa dos cafezais. De outro lado, a expectativa é de o conilon/robusta ganhar força.

Quando olhamos para os próximos 12 meses, haverá uma pressão de preços maior sobre o arábica do que o conilon
, estimou.

Diante da volatilidade dos preços nos últimos anos, disse o presidente da Abic, a indústria mudou a estratégia de formação de estoques, reduzindo uma cobertura que, cinco, seis anos atrás, estava em torno de oito a 12 semanas de suprimento.

Cardoso pontuou que essa formação de estoques é uma estratégia de cada empresa, o que não permite saber precisamente como está essa relação.

Temos uma redução significativa, que pode ser para algo em torno de quatro a sete semanas. Mas é uma suposição. A Abic não tem esses registros
, ressaltou.