DeepAgro faz parceria com Jacto em IA que 'lê' as folhas
A argentina DeepAgro, de visão computacional aplicada à pulverização, anunciou uma parceria com a brasileira Jacto, de máquinas e equipamentos agrícolas, para dar tração a uma tecnologia que "lê" cada folha e "decide" sobre a aplicação de defensivos planta a planta. O mercado brasileiro vem atraindo tecnologias de pulverização de precisão, que podem reduzir o uso de insumos químicos nas lavouras.
A agtech argentina desenvolveu uma inteligência artificial composta por câmera e computador que é instalada nas barras dos pulverizadores, e é capaz de analisar a morfologia, a cor e a estrutura da folha. A partir dessas informações, a tecnologia decide se o bico aplicador deve abrir ou não.
É como se houvesse um agrônomo a cada dois metros na barra da máquina tomando decisões, afirma Jose Dominguez, diretor argentino responsável pela expansão da empresa no Brasil.
Com a parceria, todas as máquinas da Jacto com aplicação seletiva terão o dispositivo da DeepAgro embarcado. Ele soma-se a outras tecnologias embarcadas nos produtos da Jacto, que conjuntamente podem levar à redução de até 70% no gasto com insumos químicos, diz Carlos Eduardo Haushahn, CEO da fabricante.
Nosso interesse é entregar ao produtor algo que seja viável do ponto de vista econômico e técnico, afirma.
As grandes montadoras vendem a tecnologia de pulverização de aplicação seletiva somente em máquinas novas, enquanto a startup consegue instalar o seu hardware em qualquer máquina, de qualquer ano, diz Dominguez, da DeepAgro.
Já instalamos nosso dispositivo em uma máquina de 1995 na Argentina, exemplifica.
Jose Dominguez, diretor da DeepAgro no Brasil:
Nosso interesse é entregar ao produtor algo que seja viável do ponto de vista econômico e técnico
Divulgação/DeepAgro
Com a dificuldade de acesso ao crédito e os juros altos, que dificultam os investimentos em máquinas novas, há uma "onda" de retrofit de máquinas agrícolas, o que vem permitindo a agtech avançar no mercado, diz o diretor.
A Amaggi, maior trading agrícola de capital nacional, foi a grande validadora da tecnologia da DeepAgro no Brasil. Há um ano, passou a testar o hardware em suas lavouras e selou uma parceria em 2026, segundo a agtech argentina. Entre fevereiro e junho, o sistema da DeepAgro operou em mil hectares de algodão da Amaggi e levou à economia de 26 mil litros de glufosinato.
Dominguez afirma que o preço médio do glufosinato gira entre R$ 35 e R$ 40 por litro, o que gerou uma economia estimada de R$ 1 milhão.
Depois de experimentarem e comprovarem os resultados, eles decidiram comprar a solução e adquirir cinco máquinas para rodar na safra atual, acrescenta.
Procurada pela reportagem, a Amaggi não deu entrevista.
Presente no Brasil há menos de dois anos, a DeepAgro encerrou em julho uma rodada pré-série A, quando captou US$ 3 milhões com a gestora Aqua Capital, principal investidora.
Agora, o CEO da DeepAgro, Juan Manuel Baruffaldi, vai para os Estados Unidos para iniciar os contatos com fundos para uma rodada série A.
Pretendemos abrir [a rodada] em março de 2027 com a meta de captar US$ 10 milhões.
Empresa lança pulverização para algodão
Outra empresa de tecnologia de pulverização de precisão que está avançando no Brasil é a Eirene Industrial. De origem nacional, a companhia lança, nesta terla-feira (22/9) uma IA de pulverização seletiva no algodão no Congresso Brasileiro do Algodão (CBA), em Belo Horizonte.
A tecnologia "SaveFarm Cotton" utiliza visão computacional e aprendizado de máquina para identificar em tempo real plantas daninhas e estruturas do algodoeiro. A tecnologia toma as decisões de aplicação a partir das imagens captadas por câmeras instaladas na barra do pulverizador.
Segundo o CEO, Eduardo Marckmann, os algoritmos são treinados com milhões de imagens de lavouras de algodão que consideram variações de estágio da cultura, solo, luminosidade, cultivares e as condições do campo.
A ferramenta pode aplicar reguladores de crescimento, herbicidas, fungicidas e inseticidas.
A tecnologia busca reduzir o uso desnecessário de defensivos e os custos por hectare, além de aumentar a precisão das aplicações, explica.
O processamento das imagens analisadas pelo algortimo ocorre no próprio equipamento e não exige conexão com a internet.
Isso permite que o sistema opere em tempo real mesmo em áreas rurais sem cobertura de rede, diz.