Demanda firme eleva preços de grãos na bolsa de Chicago
Soja e milho foram os destaques de alta no mercado internacional em setembro, enquanto as cotações do café registraram as maiores quedas no mês. A demanda firme por grãos produzidos pelos americanos ditou a valorização na bolsa de Chicago e, em sentido contrário, o café recuou em Nova York, refletindo o aumento da oferta por parte do Brasil, maior produtor global da espécie arábica.
Os contratos de segunda posição da soja em Chicago registraram alta mensal de 9,4% em setembro, de acordo com o Valor Data, para um preço médio de US$ 13,2146 o bushel, em meio a um balanço mais apertado entre oferta e demanda.
Luiz Fernando Roque, coordenador de inteligência de mercado da Hedgepoint Global Markets, observou que nem mesmo a previsão de uma safra de soja recorde nos EUA foi capaz de acomodar os preços.
Mesmo com essa previsão de colheita inédita, a demanda muito forte vai levar os EUA a uma redução dos estoques finais na temporada 2026/27, disse.
Ainda no campo da demanda, a China incrementou as aquisições de soja americana, dando fôlego extra à alta na bolsa.
A China já adquiriu 17 milhões de toneladas de soja dos EUA, superando a média de compras dos últimos três anos. Isso mostra que eles estão comprometidos com a importação das 25 milhões de toneladas anunciadas pelos americanos em outubro, lembrou Roque.
Segundo o levantamento do Valor Data, o milho teve alta mensal de 9,4% em setembro, para US$ 5,3968 o bushel, na média, enquanto o trigo subiu 5,8%, para US$ 7,3402 o bushel.
Além do aperto nos estoques globais, a troca de ataques entre russos e ucranianos levou a uma redução das exportações de milho e trigo dos dois países pelos portos do Mar Negro e no Mar de Azov, destacou o analista.
Nesse sentido, a SovEcon cortou em 4,7 milhões de toneladas sua estimativa para as exportações de trigo da Rússia em 2026/27, previstas em 36,7 milhões de toneladas. A projeção indica queda de 20% em relação à safra anterior, e ainda seria o menor patamar desde 2021/22. Para a consultoria, os embarques por esses locais não devem se normalizar antes de 2027.
Bolsa de Nova York
Em Nova York, o café teve queda mensal de 10,9% em setembro, para uma média de US$ 2,8351 a libra-peso. Para Vicente Zotti, diretor da NRP Agro, o recuo se seguiu à chegada do café brasileiro ao mercado, com a finalização da colheita da safra 2026/27.
Nós vimos um grande desmonte nas posições compradas [aposta na alta dos preços na bolsa], que saíram de 25 mil contratos para 12 mil porque começou a chegar o café que estava represado pelo atraso na colheita, afirmou. Ainda segundo Zotti, o mercado já acompanha o desenvolvimento da safra brasileira 2027/28 de café.
Tivemos as primeiras floradas em setembro, e o clima para os próximos 40 dias aponta previsões muito boas para as áreas produtoras no Brasil, acrescentou.
No mercado do cacau, os preços caíram 2,2% em Nova York, para a média de US$ 5.867 a tonelada em setembro. Já o algodão recuou 2,1%, para a média de 84,63 centavos de dólar, diante de um movimento de realização de lucros.
Do lado das altas em Nova York, o destaque ficou com o açúcar, que subiu 6,1% em setembro, para um média de 18,89 centavos de dólar a libra-peso. A commodity avançou sob um cenário restrito de oferta, com novas previsões de déficit na produção global para 2026/27.
O suco de laranja concentrado e congelado, por sua vez, encerrou o mês em leve alta em Nova York. Os futuros subiram 0,71%, para uma média de US$ 1,5131 a libra-peso.