Agronegócio

Desembolso de crédito rural pelo Banco do Brasil teve queda de 44%

Autor: Por Rafael Walendorff — Brasília Publicado em: Fonte: Globo Rural
Desembolso de crédito rural pelo Banco do Brasil teve queda de 44%
Foto: Getty Images

O desembolso de crédito rural pelo Banco do Brasil, principal financiador do setor agropecuário, alcançou R$ 31,3 bilhões entre julho (primeiro mês da safra 2026/27) e 20 de outubro deste ano. O montante, que inclui a emissão de títulos e outras formas de financiamento ao agronegócio, é 44,1% inferior aos R$ 56,5 bilhões liberados no mesmo período do ciclo passado.

O cenário é influenciado pelo avanço da inadimplência, principalmente entre os grandes produtores, e pelo maior rigor aplicado na concessão, e está em linha com o mercado em geral.

A retração é concentrada nas linhas para grandes produtores e nos títulos do agronegócio, como as Cédulas de Produto Rural (CPRs). A situação não é exclusividade do Banco do Brasil, ressaltou o vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar, Gilson Bittencourt.

À medida que tem um aumento da inadimplência na agricultura empresarial, o produtor inadimplente não acessa crédito. E não acessa em nenhuma instituição
, afirmou em conversa com a imprensa nesta semana.

No caso do Banco do Brasil, a concessão para grandes propriedades caiu 55%, de R$ 33,6 bilhões para R$ 15,1 bilhões, na comparação dos 112 primeiros dias dos Planos Safras passado e atual. Já o financiamento por meio de CPRs caiu de R$ 6,7 bilhões para R$ 3,7 bilhões.

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Bittencourt avaliou ainda que o aumento da inadimplência eleva a percepção de risco em todo o sistema financeiro, o que torna o crédito mais seletivo.

Eu acabo sendo mais restritivo, não só pela inadimplência, mas é uma consequência da própria análise de risco do mercado
, acrescentou. Segundo ele, todo o mercado financeiro "está mais cuidadoso" com o crédito para grandes propriedades.

A situação é diferente na concessão de crédito para pequenos e médios produtores, cujo desempenho continua "em linha" com o do ano passado, segundo o executivo. No caso do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), o desembolso subiu 1,7%, de R$ 8,3 bilhões para R$ 8,4 bilhões no período de julho a 20 de outubro. Bittencourt destacou que o crescimento é positivo, pois ocorre em cima de um montante contratado também acelerado em 2025.

Já no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor (Pronamp), o valor do desembolso está 44% menor , com a liberação de R$ 4,4 bilhões desde julho.

O vice-presidente de Agronegócios do BB, no entanto, disse que a diferença para o ano passado, quando foram desembolsados R$ 7,9 bilhões, foi compensada pela contratação de R$ 3,9 bilhões de pré-custeio da safra 2026/27 entre março e junho deste ano.

Como fizemos pré-custeio, estamos financiando essa safra agora, mas começamos a financiar em março. Se somarmos o valor antecipado, praticamente teremos o mesmo valor que teria do ano passado
, afirmou.

De acordo com o executivo, o médio produtor continua com acesso a financiamento, o que se reflete a campo, com avanço do plantio.

A estabilidade da nossa carteira de Pronamp nos mostra isso
, completou.

Bittencourt ressaltou que há um "pé no freio" nos investimentos em geral nesta safra, com exceção do Pronaf. Entre os grandes produtores, a queda é de cerca de R$ 2 bilhões até agora sobre uma base que já foi menor na temporada 2025/26 na comparação com o ano anterior. O cenário continua "parecido" neste ciclo, reflexo do aperto maior nas contas e no fluxo de pagamentos no setor.

"É mais um ano de ajuste nos investimentos", avaliou.

E [o produtor] não está errado. Eu quero emprestar, mas eu quero emprestar especialmente para quem e ajudar quem tem a capacidade de geração de receita para pagar
, afirmou.

O ritmo também é lento no Banco do Brasil na contratação de crédito para industrialização, mas o movimento é considerado normal pelo banco. Esses financiamentos são mais acessados no segundo semestre da safra, a partir de fevereiro, conforme cronograma da instituição para retorno de empréstimos e cumprimento de exigibilidades.