Desembolso de crédito rural pelo Banco do Brasil teve queda de 44%
O desembolso de crédito rural pelo Banco do Brasil, principal financiador do setor agropecuário, alcançou R$ 31,3 bilhões entre julho (primeiro mês da safra 2026/27) e 20 de outubro deste ano. O montante, que inclui a emissão de títulos e outras formas de financiamento ao agronegócio, é 44,1% inferior aos R$ 56,5 bilhões liberados no mesmo período do ciclo passado.
O cenário é influenciado pelo avanço da inadimplência, principalmente entre os grandes produtores, e pelo maior rigor aplicado na concessão, e está em linha com o mercado em geral.
A retração é concentrada nas linhas para grandes produtores e nos títulos do agronegócio, como as Cédulas de Produto Rural (CPRs). A situação não é exclusividade do Banco do Brasil, ressaltou o vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar, Gilson Bittencourt.
À medida que tem um aumento da inadimplência na agricultura empresarial, o produtor inadimplente não acessa crédito. E não acessa em nenhuma instituição, afirmou em conversa com a imprensa nesta semana.
No caso do Banco do Brasil, a concessão para grandes propriedades caiu 55%, de R$ 33,6 bilhões para R$ 15,1 bilhões, na comparação dos 112 primeiros dias dos Planos Safras passado e atual. Já o financiamento por meio de CPRs caiu de R$ 6,7 bilhões para R$ 3,7 bilhões.
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Bittencourt avaliou ainda que o aumento da inadimplência eleva a percepção de risco em todo o sistema financeiro, o que torna o crédito mais seletivo.
Eu acabo sendo mais restritivo, não só pela inadimplência, mas é uma consequência da própria análise de risco do mercado, acrescentou. Segundo ele, todo o mercado financeiro "está mais cuidadoso" com o crédito para grandes propriedades.
A situação é diferente na concessão de crédito para pequenos e médios produtores, cujo desempenho continua "em linha" com o do ano passado, segundo o executivo. No caso do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), o desembolso subiu 1,7%, de R$ 8,3 bilhões para R$ 8,4 bilhões no período de julho a 20 de outubro. Bittencourt destacou que o crescimento é positivo, pois ocorre em cima de um montante contratado também acelerado em 2025.
Já no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor (Pronamp), o valor do desembolso está 44% menor , com a liberação de R$ 4,4 bilhões desde julho.
O vice-presidente de Agronegócios do BB, no entanto, disse que a diferença para o ano passado, quando foram desembolsados R$ 7,9 bilhões, foi compensada pela contratação de R$ 3,9 bilhões de pré-custeio da safra 2026/27 entre março e junho deste ano.
Como fizemos pré-custeio, estamos financiando essa safra agora, mas começamos a financiar em março. Se somarmos o valor antecipado, praticamente teremos o mesmo valor que teria do ano passado, afirmou.
De acordo com o executivo, o médio produtor continua com acesso a financiamento, o que se reflete a campo, com avanço do plantio.
A estabilidade da nossa carteira de Pronamp nos mostra isso, completou.
Bittencourt ressaltou que há um "pé no freio" nos investimentos em geral nesta safra, com exceção do Pronaf. Entre os grandes produtores, a queda é de cerca de R$ 2 bilhões até agora sobre uma base que já foi menor na temporada 2025/26 na comparação com o ano anterior. O cenário continua "parecido" neste ciclo, reflexo do aperto maior nas contas e no fluxo de pagamentos no setor.
"É mais um ano de ajuste nos investimentos", avaliou.
E [o produtor] não está errado. Eu quero emprestar, mas eu quero emprestar especialmente para quem e ajudar quem tem a capacidade de geração de receita para pagar, afirmou.
O ritmo também é lento no Banco do Brasil na contratação de crédito para industrialização, mas o movimento é considerado normal pelo banco. Esses financiamentos são mais acessados no segundo semestre da safra, a partir de fevereiro, conforme cronograma da instituição para retorno de empréstimos e cumprimento de exigibilidades.