Agronegócio

Desmatamento na Amazônia é o menor desde 1998, diz Ministério do Meio Ambiente

Autor: Por Érica Ribeiro — Brasília Publicado em: Fonte: Globo Rural
Desmatamento na Amazônia é o menor desde 1998, diz Ministério do Meio Ambiente
Foto: Gilberto Soares/MMA

Desde 2023, as ações de combate ao desmatamento na Amazônia e no Cerrado evitaram a destruição de 3,25 milhões de hectares de vegetação nativa, o que resultou diretamente em uma redução de 1,16 GtCO2 (gigatoneladas de gás carbônico) em emissões de gases de efeito estufa na atmosfera, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (16/5) pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança de Clima.

A área de desmatamento na Amazônia registrou 3.335 km² neste ano, sendo a menor da série histórica desde 1998, quando a estatística começou a ser contabilizada e havia mais de 21 mil km² de área desmatada. No Cerrado, que possui 100% do território mapeado no país, a área também foi a menor da série histórica desde 2001, com 5,516,69 km² detectados.

De acordo com os números apresentados, nos últimos quatros anos houve uma queda de 71,2% na área desmatada da Amazônia. No Cerrado, que registrou um aumento em 2023, também houve uma redução de 48,4% nos anos seguintes. O Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), do governo federal, é realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Entre os Estados com maior estimativa de desmatamento na Amazônia estão o Pará, com 33,9% de contribuição; Mato Grosso, 25,5%; Amazonas, 15,7%; Roraima, 8,6%; e Acre, 7,6%. Apesar disso -- com exceção de Roraima, que registrou um aumento de 0,4% no ano passado -- esses Estados registraram queda no desmatamento no mesmo período.

Das áreas monitoradas no Cerrado, Maranhão (31,2%), Tocantins (22,9%), Piauí (11,3%), Bahia (8,9%), Minas Gerais (8,5%) e Mato Grosso (8,2%) são os Estados com maior desmatamento. No entanto, todos também registraram queda. Os dados de desmatamento foram reunidos entre 1º de agosto de 2025 e 31 de julho de 2026.

Além dos dados de desmatamento, também foram apresentados números de atuação do Ibama. Entre 2023 e 2026, o instituto realizou 76.095 ações de fiscalização e lavrou 25.101 autos de infração contra a flora, com R$ 11,8 bilhões em multas. No mesmo período, embargou 18.630 km², lavrou 15.306 termos de apreensão, com valor de R$ 2,6 bilhões, e 4.088 termos de destruição, com valor de R$ 1,26 bilhão.

Já no âmbito do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que atua dentro de Unidades de Conservação federais, foram lavrados 11,9 mil autos de infração entre 2023 e 2026, com R$ 2,4 bilhões em multas, e mais de 5 mil termos de embargo, que somam mais de 5 mil km² de área embargada.

Ainda segundo o governo federal, entre as ações estabelecidas, outro projeto foi aprovado pelo Fundo Amazônia, o Fortalecimento da Fiscalização Ambiental para o Controle do Desmatamento Ilegal na Amazônia (FortFisc), com R$ 825,7 milhões de aporte. Os recursos serão destinados para fiscalização remota, sistemas, equipamentos, meios aéreos e gestão.

Incêndios no Amazonas em investigação

O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, informou que o governo segue investigando uma "ação criminosa deliberada" por trás da disparada de incêndios no Estado do Amazonas. Ele também afirmou que, dentro dessa investigação, há apuração se esses incêndios teriam conexão com o segundo turno das eleições presidenciais.

Há boatos sobre isso e estamos investigando. Seriam tanto para prejudicar o candidato do governo da oposição no Amazonas, quanto o presidente Lula
, afirmou Capobianco. Segundo ele, 11 aeronaves já foram enviadas para a região, além de 380 brigadistas do Corpo de Bombeiros.

Desde o início do mês, o Amazonas registra quase o dobro de focos de incêndio que em todo outubro de 2025, com fumaça encobrindo a capital, Manaus, principal cidade da Amazônia Legal. A Polícia Civil já abriu 120 inquérito sobre o caos, enquanto três apurações estão em curso na Polícia Federal.