Disciplina fiscal poderá favorecer políticas públicas para o agro, diz ministra do MDA
A ministra do Desenvolvimento Agrário, Fernanda Machiaveli, reforçou a posição do governo de que a política econômica no quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva será focada na disciplina fiscal.
Segundo ela, essa postura pode viabilizar a redução da taxa de juros e favorecer o andamento das políticas públicas para o setor agropecuário, com mais espaço e eficiência no gasto com a equalização do crédito rural, por exemplo.
Neste domingo (8) , será transmitido um discurso do presidente Lula, em rádio e TV, em que vai reforçar o compromisso com a responsabilidade fiscal e manifestará sua preocupação em reduzir os juros para aumentar os investimentos.
Temos que dar essa segurança para poder fazer a redução das taxas de juros, porque nos afeta diretamente, na agricultura familiar, no agro, o quanto que temos que colocar em equalização, afirmou Machiaveli.
A equalização aplicada pelo Tesouro Nacional nos financiamentos rurais paga a diferença entre o custo dos bancos para captar os recursos que serão emprestados aos agricultores e os juros finais cobrados na ponta, mais baratos por conta dessa intervenção do governo.
À medida que a taxa Selic cai, o custo de captação do dinheiro nas instituições financeiras também reduz e, consequentemente, o gasto público nas operações. Com isso, o orçamento destinado a essa finalidade pode render mais e atender mais pessoas.
Ministra Fernanda Machiaveli
Wenderson Araujo/Valor
Na safra 2026/27, são ofertados R$ 141,9 bilhões em linhas equalizáveis para pequenos, médios e grandes produtores em financiamentos de custeio, comercialização e investimento. O custo da União para equalizar as taxas desses empréstimos é de R$ 18,2 bilhões ao longo de vários anos.
Machiaveli disse que o presidente tem a "clareza" e o "desejo" de dar condições para uma trajetória de redução dos juros no país.
Para conseguir ofertar taxas de juros melhores para os agricultores familiares, para os médios produtores, o que nos interessa é conseguir uma trajetória de redução da taxa Selic para justamente poder colocar menos recurso em equalização, comentou.
Reaproximação com o setor
Apesar do cenário ainda turbulento da economia e do distanciamento político entre o setor agropecuário e o governo federal, a ministra vê espaço para uma reaproximação. Ela disse que a estratégia passa pelo diálogo com a representação do agronegócio no Congresso e nas entidades e destacou o papel do vice-presidente, Geraldo Alckmin, nesse processo de "restabelecer pontes".
Machiaveli destacou ações feitas pelo governo do presidente Lula para o setor agropecuário, como a atuação para reversão de tarifas na exportação aos Estados Unidos, a redução de juros do crédito para a produção de alimentos de consumo básico e o acionamento de instrumentos da política agrícola para o escoamento e garantia de preços mínimos de itens como laranja, pêssego, leite, borracha natural, entre outros.
Foram muitas ações realizadas para não deixar esse produtor fragilizado, disse.
A ministra lembrou que boa parte do setor ainda está ligada a outro viés político por conta da alta dos preços das commodities agrícolas durante o governo de Jair Bolsonaro, que gerou bons resultados financeiros naquela época.
Na sequência houve queda das cotações dos grãos e manutenção em alta dos custos dos insumos.
As questões climáticas e de preço não estão na governabilidade de nenhum presidente (...) não dá para fazer um ciclo de alta das commodities, ponderou.
Ela salientou que o governo reconhece a importância macroeconômica do agronegócio.
É um setor econômico, não é um partido político. Ele tem uma base que precisa estabelecer diálogo porque é diretamente afetada pelas decisões de governo e pelas políticas públicas. O nosso entendimento é que, assim como aconteceu das outras vezes, o setor vai se reaproximar por meio das suas representações para fazer as negociações, afirmou.