Agronegócio

Doença de Newcastle: restrição de embargo chinês a SC reduz impacto no setor avícola, diz governo

Autor: Por Rafael Walendorff — Brasília Publicado em: Fonte: Globo Rural
Doença de Newcastle: restrição de embargo chinês a SC reduz impacto no setor avícola, diz governo
Foto: Mark Stebnicki/Pexels

A decisão da China de suspender as importações de produtos avícolas apenas de Santa Catarina ajudará a reduzir o impacto de perdas no setor produtivo brasileiro após a identificação de um foco da doença de Newcastle em criação comercial de perus em Nova Itaberaba (SC), afirmou à reportagem o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Augusto Billi.

Ele confirmou que as 14 unidades catarinenses habilitadas foram suspensas. Ao todo, o Brasil tem 61 estabelecimentos autorizados a exportar produtos avícolas para lá.

Billi disse que a decisão é fruto da negociação diplomática feita com os chineses desde domingo (18/10), quando o foco foi confirmado, e da experiência com o episódio anterior, em 2024, no Rio Grande do Sul.

No foco de Newcastle em Anta Gorda (RS), em julho de 2024, a Adminstração-Geral de Alfândegas da China (GACC, na sigla em inflês) bloqueou as importações de todo o país e 26 dias depois reduziu o embargo apenas para o Rio Grande do Sul.

Agora, ressaltou Billi, o bloqueio já é focalizado desde o início.

De fato, eles poderiam ter decidido fechar tudo, mas conseguimos mudar esse entendimento com a China, o que reduz muito o impacto
, afirmou.

A avaliação da Pasta é que, como houve auditoria in loco recentemente do sistema sanitário in loco pelos chineses, eles tiveram segurança para aplicar a medida menos restritiva e regioanilizar o problema, sem impactar as vendas dos demais Estados.

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Mesmo assim, o Brasil não certificou produtos avícolas para exportar para a China a partir de segunda-feira (19/10), uma decisão técnica e "mais precavida" do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa). Isso porque o protocolo sanitário bilateral prevê o bloqueio de todo o território nacional. Agora, com a confirmação do embargo apenas às unidades catarinenses, demais empresas do país poderão retomar as vendas.

Até o fim do dia, o Ministério da Agricultura deverá publicar uma lista com as restrições aplicadas para exportações aos mercados ao redor do mundo.

A data usada como base para a certificação de produtos avícolas será 21 de setembro, data da coleta da vigilância ativa em Nova Itaberaba (SC) que deu início às investigações e resultaram na confirmação do foco em 18 de outubro. Ou seja, de acordo com o destino, não poderão ser certificadas cargas produzidas depois de 21 de setembro.

Sobre o México, que suspendeu as compras de produtos avícolas do Brasil, Billi disse que a decisão cumpre o previsto no protocolo sanitário, e que, a partir de agora, começará o trabalho de negociação para tentar reduzir o bloqueio ao Estado, município ou área afetada.

Billi lembrou que ainda nesta semana os animais da granja onde o foco foi identificado serão sacrificados e será feita a desinfecção do local. Concluídos os procedimentos e sem a detecção de novos focos, o Brasil poderá pleitear, em 90 dias, a declaração de país livre da Doença de Newcastle à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).

Relatório

Nesta terça-feira (20/10), foi publicado o relatório brasileiro sobre o foco no site da OMSA. O documento mostra que a granja em Nova Itaberaba tem 6.526 animais e que foram identificados 26 casos, sem nenhuma morte. A data de início do evento é 21 de setembro.

No relatório, o Brasil informou que foram coletadas amostras de aves assintomáticas como parte das atividades de vigilância ativa estabelecidas pelo Plano Nacional de Vigilância da Influenza Aviária e da Doença de Newcastle em 21 de setembro. Essas amostras apresentaram resultado positivo nos testes de triagem em 14 de outubro de 2026.

Diante da suspeita, o Serviço Veterinário Oficial realizou imediatamente uma investigação epidemiológica no estabelecimento, não foram observados sinais clínicos no lote e amostras adicionais foram coletadas para testes diagnósticos confirmatórios
, diz o relatório.

O Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo (LFDA-SP) confirmou o surto em 18 de outubro de 2026 por meio de um teste confirmatório. O sequenciamento genético foi consistente com um vírus virulento, com a sequência de aminoácidos 112-RRQKR-116 na extremidade C-terminal da proteína F2 e um resíduo de fenilalanina (F) na posição 117 na extremidade N-terminal da proteína F1, conforme antecipado pela reportagem nessa segunda-feira. A sequência de nucleotídeos obtida para o gene F apresentou 97,35% de identidade com a sequência do paramixovírus 1 de pombos (PPMV-1) depositada no GenBank sob o número de acesso KX097024.1.

O relatório diz ainda que as autoridades sanitárias brasileiras estão conduzindo uma investigação epidemiológica do evento e implementando restrições e medidas de controle de acordo com o Plano Nacional de Contingência para Emergências em Saúde Animal.