Agronegócio

El Niño não vai afetar preços dos alimentos em 2026, diz ministra

Autor: Por Rafael Walendorff — Brasília Publicado em: Fonte: Globo Rural
El Niño não vai afetar preços dos alimentos em 2026, diz ministra
Foto: Wenderson Araujo/Valor

A ministra do Desenvolvimento Agrário, Fernanda Machiaveli, afirmou nesta terça-feira (22/9) que o El Niño não provocará o encarecimento dos preços dos alimentos neste ano. Ela disse que o cenário é de estabilidade e até deflação dos produtos na maioria dos Estados.

A afirmação foi feita após anúncio de compra de 191 mil toneladas de milho para abastecer os estoques públicos e o Programa de Venda em Balcão (ProVB), que oferece o cereal a preços acessíveis a criadores de animais do Nordeste impactados pela estiagem. Segundo a ministra, ações de prevenção e enfrentamento ao El Niño vão minimizar possíveis impactos.

Não vamos ter o impacto do El Nino neste ano afetando os preços dos alimentos. Os preços vão continuar nesse momento de deflação, já houve queda em 25 das 27 capitais, houve queda nos preços pelo terceiro mês consecutivo. Vamos seguir com cenário de estabilidade nos preços dos alimentos, garantindo acesso da população a alimentação saudável
, afirmou em coletiva mais cedo.

A ministra reforçou ainda que as projeções atuais são de incremento da safra de grãos em 2026/27, o que poderá ampliar a oferta interna de alimentos e conter preços.

Sobre o cenário de carne bovina, ela ponderou que a perspectiva é de redução de 3,6% na produção brasileira em 2027, reflexo da inversão do ciclo pecuário e da maior retenção de fêmeas. Mesmo assim, o governo não fala em aumento de preços. "Teremos oferta maior no segundo semestre no mercado interno", disse Machiaveli.

Para o presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Sílvio Porto, houve alteração na dinâmica de exportações de carne bovina, com a cota para a China e bloqueio da União Europeia, ao mesmo tempo que há perspectiva de aumento da produção das demais proteínas. O cenário, segundo ele, garante oferta de carnes internamente.

Apesar de projetar queda de 3,6% na carcaça de bovinos, tem crescimento de ovos, frango e suínos. Tem um rearranjo do mercado em relação à comercialização de bovinos e tem também frangos, suínos e ovos como forma de complementação e ajuste das famílias, do que irão comprar. Esse aumento provoca redução de preço e estabilidade em relação à cesta básica
, avaliou na coletiva.

Nesta terça-feira (22/9), o governo federal liberou mais R$ 64,3 milhões, por meio de Medida Provisória 1.392/2026 para ações do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). Os recursos serão operacionalizados pela Conab para compra de cestas básicas para abastecer regiões fragilizadas pelo clima, como o Norte do país, onde há dificuldades com a seca e os efeitos na navegabilidade dos rios.

Do total, mais de R$ 40 milhões serão destinados ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), via Conab, na região Norte. Segundo a ministra Fernanda Machiaveli, haverá estímulo à produção e garantia de compra dos produtos nas comunidades tradicionais e famílias ribeirinhas.

"Garantimos que os riscos de desabastecimento fiquem minimizados", disse na coletiva. Segundo ela, as cestas básicas também serão direcionadas para o Sul do Brasil, para populações urbanas que forem afetadas por enchentes.