El Niño se intensifica e tem 83% de chances de ser o mais intenso já registrado
O El Niño se intensificou rapidamente em setembro, segundo a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA), com 100% de chances de um fenômeno muito forte, quando a temperatura da água na região tropical do Pacífico fica pelo menos 2°C acima da média, até o final do ano. A agência americana atualizou seu prognóstico nesta quinta-feira (8/10).
Ainda segundo a NOAA, as chances continuam altas de ocorrer um evento histórico que excederia a intensidade de todos eventos anteriores desde quando o órgão começou a acompanhar o El Niño, em 1950. A probabilidade disso ocorrer é de 54% para setembro a novembro, 83% para outubro a dezembro e 70% para novembro a janeiro. Com um evento dessa magnitude, as chances de ocorrerem impactos consistentes com o El Niño são maiores, embora não garantidas.
O fenômeno também deve continuar intenso no início de 2027. Entre dezembro e fevereiro, há 81% de probabilidades de um El Niño ainda muito forte. O evento deve perder força apenas no trimestre entre janeiro e março, que tem 46% de chances de ter um El Niño em sua maior intensidade.
No leste do Pacífico equatorial, as águas estão mais de 4°C acima da média em algumas regiões. Na região Niño 3.4, principal área usada para definir sua intensidade, as águas já estão 2,1°C acima da média.
Efeitos globais
Além das temperaturas do oceano, a NOAA também observa mudanças nos ventos, na formação de nuvens e nas chuvas sobre o Pacífico, que são características associadas ao El Niño. A combinação desses sinais no oceano e na atmosfera indica que o fenômeno continua ganhando força.
A Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência especializada da Organização das Nações Unidas (ONU) também atesta que o fenômeno está ganhando força. O orgão aponta que as temperaturas da superfície do mar no Pacífico tropical central e oriental devem aumentar para níveis recordes durante os últimos três meses do ano.
Condições mais úmidas que o normal serão mais prováveis no Chifre da África, em partes da Ásia Central e da costa leste da Ásia, no norte da Península Arábica, em partes da América do Norte, e no sudeste da América do Sul, aponta a OMM.
Em contraste, também há um amplo sinal de seca tanto no Pacífico Ocidental quanto no Oceano Atlântico Equatorial, estendendo-se pelo Pacífico Sul até a ponta sul da América do Sul. Condições mais secas que o normal são previstas no subcontinente indiano, no sul da América Central e em partes do Caribe, além do noroeste da América do Sul.
Contudo, isso não significa que todos os locais estarão mais quentes do que a média, mas sim, que haverá um sinal forte sazonal que aumenta a probabilidade de ondas de calor extremas e impactos relacionados ao calor. Para a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, há uma probabilidade de quase 100% sobre a persistência até fevereiro de 2027,
podendo ser um dos mais fortes desde pelo menos 1950.
No Brasil, o sistema tende a causar mais chuvas no Sul do país e estiagem na região Norte e Nordeste, também com tempo mais quente no Sudeste e Centro-Oeste.