Agronegócio

Em crise, indústria de fertilizantes aposta na retomada em 2027

Autor: Por Danton Boatini Júnior — São Paulo Publicado em: Fonte: Globo Rural
Em crise, indústria de fertilizantes aposta na retomada em 2027
Foto: Getty Images

A indústria nacional de fertilizantes aposta na retomada do segmento em 2027, após uma crise que deve derrubar a entrega de produtos no país em 2026. Projeções que sinalizam crescimento do volume comercializado no próximo ano foram apresentadas durante o 20º Simpósio Sindiadubos NPK 2026, na última quinta-feira (22/10), em Curitiba.

A estimativa é de que o volume de entregas alcance 47,5 milhões de toneladas no ano que vem. Após um recorde de 49,1 milhões de toneladas em 2025, a indústria vive momento de retração no país. As estimativas mais recentes apontam para uma queda de 16,5% em 2026, conforme noticiou nesta sexta-feira (23/10) o Valor.

O principal motivo foi a instabilidade geopolítica, que fez com que o preço das matérias-primas disparasse - num momento que já é de margens apertadas para o produtor rural.

Tivemos um ano extremamente difícil. Temos uma máxima no setor que um ano nunca é igual ao outro, mas este foi inacreditável. O gráfico de preços parecia um eletrocardiograma
, afirmou o presidente do Sindicato das Indústrias de Adubos e Corretivos Agrícolas no Estado do Paraná (Sindiadubos-PR), Aluisio Schwartz Teixeira.

O engenheiro agrônomo Jeferson Souza, analista da Agrinvest Commodities, estimou que as entregas de fertilizantes fechem o ano de 2026 em 43,6 milhões de toneladas, o que corresponderia a uma queda de 11%.

Mas as projeções são atualizadas a cada mês, então esse percentual ainda pode ser maior
, completou.

O analista destacou que há sinais para a retomada do mercado a partir de 2027, com novas demandas que apresentam potencial para aquecer o setor de fertilizantes.

Temos um cenário de incertezas no curto prazo, mas há vetores claros de crescimento para os próximos anos. O volume de milho destinado à produção de etanol tem uma perspectiva excelente, assim como a expansão de culturas alternativas, como o sorgo, e o fortalecimento do ciclo da soja
, afirmou Souza.