Empresas brasileiras projetam US$ 3,5 bilhões em negócios na Sial Paris
Empresas brasileiras esperam gerar US$ 3,5 bilhões em negócios durante o Salão Internacional Agroalimentar (Sial). O evento, um dos principais encontros internacionais da indústria de alimentos, começa neste sábado (17/10), em Paris, capital da França.
A previsão é da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil). O número considera tanto o que pode ser fechado durante a feira quanto a prospecção de negócios futuros. Na edição de 2024, foram US$ 3,2 bilhões em negócios.
O Brasil participa do evento deste ano com 156 empresas de diversos setores. São 109 nos pavilhões coordenados pela Apex Brasil, entre as quais 13 cooperativas e 9 comerciais exportadoras. Outras 47 companhias estarão nos pavilhões da instituição em parcerias com setores da indústria.
Entre os segmentos que integram a delegação brasileira, estão carnes, ovos, alimentos congelados, bebidas, grãos, frutas e vegetais. A Apex Brasil informa que é a maior representação do país já registrada na Sial Paris.
O espaço da carne bovina brasileira reúne mais de 20 empresas, com a intenção de promover a marca Brazilian Beef. Em comunicado, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) pontua que o evento abre espaço para fortalecer relações comerciais.
É uma oportunidade para ampliar a diversificação dos destinos da carne bovina brasileira. O Brasil tem capacidade de atender diferentes mercados, perfis de consumo e exigências, diz o presidente da entidade, Roberto Perosa.
Na visão da Apex Brasil, a presença na Sial Paris deste ano é estratégica. É a primeira edição do evento na capital francesa depois da entrada em vigor do acordo comercial Mercosul-União Europeia.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e Serviços (Mdic) mostram que a corrente comercial (soma de importações e exportações) entre Brasil e o bloco europeu somou US$ 49,7 bilhões de maio a setembro. Só as exportações aumentaram 30,6%, para US$ 27,2 bilhões.
A França, anfitriã da feira, é a segunda maior economia da União Europeia. A Apex Brasil avalia que o país é um mercado estratégico, com oportunidades para diversos segmentos. O país, no entanto, é um dos que mais teve manifestações de produtores rurais locais contra a assinatura do acordo Mercosul-UE.
Indústria de aves espera liberação dos europeus
A indústria de aves e suínos brasileira desembarca em Paris com mais de 25 empresas e cooperativas. As iniciativas para promover as marcas setoriais incluem sessões de degustação de produtos e pratos típicos, além de divulgação de informações sobre das cadeias produtivas.
É uma das maiores vitrines globais para a indústria de alimentos. Tem especial relevância estratégica para a avicultura e a suinocultura do Brasil por se tratar de uma feira com importadores de dezenas de mercados, afirma, também em nota, o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin.
O segmento avícola, em particular, olha para o mercado global enquanto espera por uma decisão da União Europeia. Desde o dia 3 de setembro, estão suspensas as exportações de produtos de origem animal do Brasil para o bloco, sob a alegação de falhas no controle do uso de antimicrobianos nos planteis de produção.
O governo brasileiro e o setor privado se opõem à medida. Argumentam que o sistema sanitário brasileiro é rigoroso e cumpre as normas exigidas pelos mercados exportadores.
Representantes da União Europeia fizeram uma inspeção nas cadeias produtivas de aves e mel. A avaliação preliminar foi positiva, de que os controles sanitários brasileiros são capazes de garantir o cumprimento das exigências.
Mais recentemente, o comissário para o Comércio e Segurança Econômica da União Europeia, Maros Sefcovic relatou a ministros brasileiros que as compras de carne de aves e mel deverão ser retomadas "no curto prazo" após as avaliações técnicas positivas.
A decisão caberá ao Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações da União Europeia (Scopaff). A instituição tem reuniões agendadas para 20 e 21 de outubro, nos dois últimos dias da Sial Paris.
Evento na França reúne 8 mil expositores
A feira deste ano na capital francesa reúne 8 mil expositores de mais de 130 países em pelo menos dez setores considerados chave para a alimentação global. Os visitantes esperados devem ter contato com mais de 400 mil produtos e inovações de 650 startups.
Os organizadores calculam que o poder de compra somado dos visitantes passa dos 100 bilhões de euros. E informam que 92% deles são tomadores de decisão. Em média, cada expositor faz 136 contatos comerciais e 81% dos compradores fazem negócios durante e após o evento.
Considerando a área de exposição, os países com maior representação são Itália, França, Espanha, Turquia, China, Países Baixos, Grécia, Bélgica, Polônia e Índia.
A próxima Sial Paris será em 2028. O evento compõe uma rede, que inclui o Sial Canadá, Sial China (em Xangai e Guangzhou), Sial Interfood (Jacarta, na Indonésia) e Sial Índia.
*O jornalista viajou a convite da Apex