Estoques de milho avançam e USDA deve reduzir uso do cereal para ração
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) deve reduzir nesta sexta-feira (9/10) sua estimativa sobre quanto milho da safra passada foi destinado à alimentação animal. A expectativa dos analistas ganhou força após os estoques de grãos superarem as projeções na semana passada, informou a Reuters.
Dados trimestrais divulgados pelo USDA em 30 de setembro mostraram que agricultores e processadores americanos tinham mais de 2 bilhões de bushels de grãos armazenados no início daquele mês. O volume representa um aumento de 35% em relação ao mesmo período do ano anterior e ficou 9% acima das estimativas dos analistas.
Os dados levaram analistas a questionar se o departamento havia superestimado o consumo de milho para ração, um indicador importante da demanda pelo grão. A revisão também reacendeu dúvidas sobre a confiabilidade das estimativas do órgão americano, que já enfrentou uma série de erros nos dados agrícolas, segundo a Reuters.
O USDA não mede diretamente o volume de milho utilizado na alimentação animal, informou a Reuters. Ele estima a quantidade fornecida ao gado em uma categoria que também inclui usos residuais, como grãos desperdiçados. O cálculo considera os suprimentos disponíveis após descontar os volumes exportados e destinados à produção de etanol.
Analistas também questionaram a estimativa do USDA de aumento de 17% no consumo de milho para ração antes da colheita de outono, em comparação com o ano anterior. O rebanho bovino dos Estados Unidos estava no menor nível em 75 anos, o que reduz o número de animais a serem alimentados. Além disso, segundo os analistas, a criação de bovinos mais pesados não seria suficiente para impulsionar a demanda tanto quanto o departamento havia projetado.
A Reuters aponta que, em julho, o USDA havia elevado sua estimativa de uso de milho para alimentação animal após a colheita recorde de 2025. Desde então, o departamento projetava que 6,35 bilhões de bushels seriam destinados à ração e a outros usos na safra 2025/26, encerrada em 31 de agosto de 2026.
O volume supera os 5,49 bilhões de bushels registrados em 2022/23, os 5,83 bilhões de 2023/24 e os 5,44 bilhões de 2024/25.
Segundo a agência de notícias, uma redução na quantidade de milho destinada à alimentação animal pode elevar os estoques do grão.
Com isso, o USDA deverá aumentar em 7% sua estimativa para os estoques de milho em setembro, na comparação com o mês anterior, para 1,67 bilhão de bushels, de acordo com uma pesquisa da Reuters feita com analistas.