Exportações de algodão do Brasil cresceram 73% desde a safra 2019/20
O Brasil aumentou sua participação no mercado mundial de algodão nos últimos anos, e investe cada vez mais para conquistar novos compradores. O desempenho do setor foi apresentado durante o Cotton Brazil Luncheon, realizado em Istambul, na Turquia, nesta terça-feira (13/10).
Em sua apresentação no evento, o vice-presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), Ariel Coelho, destacou que o Brasil encerrou a safra 2025/2026 com 3,374 milhões de toneladas exportadas, crescimento de 73% em relação a 2019/2020. A receita alcançou US$ 5,295 bilhões, expansão de 72% no mesmo período.
Para 2026/2027, a Anea projeta embarques de aproximadamente 3,4 milhões de toneladas, mantendo o país na liderança mundial.
Na safra 2025/26, a China foi o destino de 23% das exportações brasileiras, seguida por Bangladesh (17%), Turquia (13%), Paquistão e Vietnã (12% cada).
Segundo Ariel, esse avanço resulta dos investimentos realizados pelos produtores brasileiros em tecnologia, que permitiram alcançar produtividades elevadas e ampliar a competitividade da fibra nacional.
Não é apenas uma questão de volume. Os produtores brasileiros fizeram um trabalho extraordinário de investimento em tecnologia e aumento de produtividade, mantendo o nosso algodão entre os mais competitivos do mundo. O resultado é que, quando as indústrias começam a utilizar a fibra brasileira, tendem a voltar nos anos seguintes comprando volumes cada vez maiores, afirmou Ariel Coelho, em nota.
Ainda segundo ele, uma das mudanças mais importantes na posição brasileira no mercado internacional da pluma foi a capacidade de manter volumes expressivos de exportação durante os 12 meses do ano. Historicamente, os embarques brasileiros se concentravam entre outubro e dezembro, levando a indústria a buscar fornecedores de outras origens durante a entressafra. Esse cenário mudou com o aumento da produção e a ampliação da capacidade exportadora.
Na safra 2025/26, o Brasil embarcou, em média, 279 mil toneladas por mês, com um pico de 452 mil toneladas em dezembro. De setembro a julho, os embarques mensais superaram 150 mil toneladas.
Antes, havia um período em que os compradores precisavam buscar algodão de outras origens. Isso mudou muito nos últimos anos. Hoje, o Brasil tem condições de fornecer grandes volumes durante todo o ano, permitindo que as indústrias utilizem o nosso algodão de forma contínua em suas operações, destacou Ariel.
Consumo
Ainda durante o evento, o diretor de Relações Internacionais da Abrapa, Marcelo Duarte, defendeu o fortalecimento da fibra natural diante da crescente participação dos materiais sintéticos no mercado.
Segundo os dados apresentados, o consumo mundial de fibras passou de 69 milhões para 124 milhões de toneladas nas últimas duas décadas, enquanto o de algodão permaneceu praticamente estável, próximo de 26 milhões de toneladas. Com isso, a participação da fibra natural no mercado global caiu de 37%, em 2006, para 21%, em 2026.
Nesse período, o Brasil desempenhou um papel importante para sustentar a oferta mundial. Enquanto a produção dos demais países recuou 3,6 milhões de toneladas, a brasileira cresceu 3,1 milhões. Pelas estimativas apresentadas, sem essa expansão, a participação do algodão no consumo mundial de fibras seria de apenas 17%.
Safra brasileira
Os resultados da safra brasileira e as perspectivas para o próximo ciclo foram apresentados por Fernando Rati, gerente do Cotton Brazil. Segundo os números apresentados, a safra 2025/26 alcançou 4,144 milhões de toneladas de pluma, volume 2,5% inferior ao do ciclo anterior, apesar do novo recorde de produtividade.
Com uma área plantada de aproximadamente 2 milhões de hectares, 8% menor que na safra 2024/25, o Brasil alcançou produtividade média de 2.076 quilos de pluma por hectare, crescimento de 6% em relação ao ciclo anterior.
"O resultado demonstra os ganhos de eficiência da cotonicultura brasileira, que conseguiu compensar parte da redução de área com maior rendimento por hectare, afirmou Rati.
Para a safra 2026/27, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) trabalha com uma perspectiva de área entre 2 milhões e 2,2 milhões de hectares e produção de 3,8 milhões a 4,4 milhões de toneladas de pluma, com produtividade estimada entre 1.900 e 2.000 quilos por hectare.