Agronegócio

Exportações de café do Brasil cresceram em setembro, mas receita dos embarques caiu

Autor: Por Raphael Salomão — São Paulo Publicado em: Fonte: Globo Rural
Exportações de café do Brasil cresceram em setembro, mas receita dos embarques caiu
Foto: Gustavo Facanalli/Embrapa

O Brasil exportou 3,894 milhões de sacas de 60 quilos de café em setembro. O volume é 3,1% maior que o do mesmo mês no ano passado. A receita com a exportações caíram 7,1% na mesma comparação, para US$ 1,282 bilhão. A informação é do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil.

A entidade divulgou, nesta sexta-feira (9/10), os números do mês passado e dos nove primeiros meses de 2026. O presidente, Márcio Ferreira, relacionou o resultado com a retomada dos embarques para os Estados Unidos, principal comprador do café brasileiro.

Em novembro de 2025, o governo americanos retirou as tarifas de importação sobre o produto, e manteve a situação depois das investigações baseadas na seção 301 da lei de comércio americana. O café permaneceu sob tarifa até meados deste ano, quando também foi para a lista de isenções.

Isso possibilitou que o cenário comercial bilateral ficasse mais nítido, mitigando incertezas e possibilitando a retomada dos negócios
, diz Ferreira, no relatório enviado pelo Cecafé.

Em setembro, os Estados Unidos foram o destino de 625,192 mil sacas de café do Brasil, 86,4% a mais que no mesmo mês em 2025.

Terceiro trimestre

O Brasil exportou 11,2 milhões de sacas de café de julho a setembro, primeiros três meses do ano-safra 2026/27. O volume é 15,5% maior que o do mesmo período na temporada anterior, informa o Cecafé. Os exportadores faturaram US% 3,561 bilhões, alta de 0,8% na mesma comparação.

Acumulado do ano

De janeiro a setembro de 2026, os embarques de café somam 29,095 milhões de sacas, baixa de 0,2% em comparação com os nove primeiros meses de 2025. A receita caiu 8,6%, para US$ 10,113 bilhões.

O presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, também destaca o crescimentos dos embarques para os Estados Unidos como positivo para o resultado. Pontua, no entanto, que, ao longo do ano, as vendas para o exterior demoraram a ganhar ritmo, por causa do atraso na colheita de café.

Observamos, desde agosto, o aparecimento dos novos cafés para exportação e o ritmo dos negócios internacionais vem se normalizando, com tendência a crescer e superar o que registramos no ano passado até o fim de 2026
, projeta, no relatório.

Ferreira acrescenta que a queda nas cotações do café levaram à redução da receita dos exportadores nos nove primeiros meses do ano.

Em janeiro de 2026, o preço médio de exportação de uma saca de café estava em US$ 422,33, considerando todas as categorias. Em setembro, o valor chegou a US$ 350,95 a saca. Só no café em grão, passou de US$ 436,23 para US$ 361,01 no período, informa o Cecafé, no relatório.

Além do cenário mercadológico, o fato de termos uma safra de arábica mais prejudicada em qualidade resulta em menores preços para esses cafés afetados, principalmente pela chuva. O aumento significativo da participação dos canéforas - naturalmente possuem cotações menores às do arábica - nas exportações também gera diminuição no faturamento e na média por saca exportada
, analisa Ferreira.