Agronegócio

Exportações dos EUA devem definir rumo dos preços de milho

Autor: Por Nayara Figueiredo — São Paulo Publicado em: Fonte: Globo Rural
Exportações dos EUA devem definir rumo dos preços de milho
Foto: Wenderson Araujo/CNA

O desempenho das exportações de milho dos Estados Unidos deve ser o principal motor de preços externos do cereal nas próximas semanas. Isso porque os estoques do produto americano estão elevados e podem crescer ainda mais se a demanda ficar abaixo do esperado pelo mercado, disseram os analistas do Itaú BBA em relatório divulgado nesta quarta-feira (14/10).

Na atualização de outubro, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) elevou de forma expressiva a previsão de oferta e os estoques americanos na safra 2026/27.

A produtividade média foi revisada de 178,5 para 181,2 bushels por acre, enquanto a produção subiu 5,9 milhões de toneladas para 407,3 milhões.

Além disso, os estoques iniciais aumentaram 4,4 milhões de toneladas para 53,2 milhões, após a incorporação dos números do relatório trimestral de estoques de 30 de setembro.

O crescimento da demanda não foi suficiente para absorver a oferta adicional e, com isso, os estoques finais norte-americanos para 2026/27 aumentaram 7,2 milhões de toneladas, passando de 39,8 milhões em setembro para 47 milhões de toneladas em outubro, citou o Itaú com base nos dados do USDA.

Para o Brasil, a maior disponibilidade norte-americana tende a ampliar a concorrência no mercado internacional, especialmente se os EUA mantiverem os atuais níveis de competitividade nos principais destinos importadores
, disse o banco.

No cenário mundial, os estoques finais de milho foram elevados pelo USDA em 8,3 milhões de toneladas, para 280,4 milhões de toneladas, principalmente devido ao aumento da disponibilidade nos EUA. Fora do mercado norte-americano, o USDA reduziu as perspectivas de produção para a União Europeia, Filipinas e México.

Na Europa, o corte refletiu os resultados da colheita e revisões oficiais, com destaque para a França, cuja produção foi projetada 38% abaixo da temporada anterior. Os estoques externos também aumentaram, sobretudo na Argentina, reforçando o cenário de maior disponibilidade global.