Exportador de grãos e açúcar aproveita alta do dólar e trava vendas
Exportadores do agronegócio, principalmente de soja, milho e açúcar, aproveitaram a disparada do dólar na segunda-feira (26), após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência, para acelerar operações de fixação de preços e proteção cambial e garantir taxas de câmbio vantajosas de suas vendas para o próximo ano.
O volume de soja comercializado apenas na segunda-feira foi de cerca de 500 mil toneladas, de acordo com participantes do mercado. O montante é mais do que o dobro da média diária da semana anterior, de 100 mil a 200 mil toneladas, disse Guilherme Britzki, corretor sênior da McDonald Pelz. A maior parte da venda é da safra que está sendo plantada.
A quantidade de milho vendida ficou ao redor de 400 mil toneladas, quase o dobro em comparação à média diária da semana passada, que ficou em cerca de 200 mil toneladas, conforme Britzki.
No caso do açúcar, o volume de produto com preços fixados pode ter ficado perto de 1,5 milhão de toneladas, segundo avaliação preliminar de Arnaldo Corrêa, diretor da Archer Consulting. Na trading Czarnikow, o volume financeiro negociado na segunda-feira foi três vezes superior à média, segundo Tiago Medeiros, diretor da trading no Brasil.
Os bancos também relataram um movimento atípico de operações de proteção cambial por parte dos exportadores. O volume de recursos movimentado com a contratação de NDF, os contratos a termo de moeda sem entrega física, junto ao Itaú BBA cresceu entre 30% e 40% em relação à média, chegando a 50% em alguns subsetores, disse Davi Caixe, diretor das mesas clientes da tesouraria do Itaú BBA.
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Na mesa de outro banco, o volume de recursos movimentados com operações de hedge cambial foi cinco vezes acima de um dia comum, apurou o Valor.
Foi um dia muito agitado. Desde cedo, os exportadores de todos os segmentos estavam muito atentos ao câmbio, afirmou Caixe.
Os agentes agiram rápido porque os 'triggers' [gatilhos] estão relacionados à margem operacional, e a alta do dólar permitiu melhorar essa margem, acrescentou. Embora o agronegócio também tenha custos em dólar, ele lembrou que parte das despesas é em reais.
Segundo Caixe, houve aumento tanto na procura por operações de câmbio no mercado físico como na procura por operações de hedge. Muitos exportadores também buscaram operações de "zero cost collar", uma estratégia de contratos de opções que permite acertar uma posição dentro de uma faixa de câmbio.
Já algumas corretoras não relataram operações em suas mesas, sob o argumento de que o mercado ficou sem referência de preços.
As tradings não abriram negociações e não tivemos interesse de venda por parte dos produtores, disse Leandro Guerra, da LC Guerra Corretora de Cereais. A corretora MD Commodities também não notou demanda. Segundo o sócio Ismael Menezes, algumas tradings ficaram
em modo de espera para entender a situação do câmbio.
As transações permitiram assegurar exportações a valores bem mais altos do que na semana anterior ao segundo turno. Os preços pagos pela saca de soja ficaram de R$ 5 a 6 acima dos praticados na sexta-feira, segundo José Fabiano da Silva, diretor de mercado físico da Agrinvest. O indicador da soja Cepea/Esalq em Paranaguá subiu 2,06% na segunda, para R$ 155,55 a saca.
Apesar da maior comercialização, Britzki, da McDonald Pelz, ponderou que os volumes ainda foram baixos para esta época. Segundo ele, as vendas já estavam abaixo do normal por causa dos preços "ruins", e por causa do foco dos produtores no plantio.
No caso do açúcar, o preço em reais -- considerando os fechamentos dos contratos negociados na bolsa de Nova York que vencem entre maio de 2027 e março de 2028, e as taxas de câmbio -- subiu R$ 120 a tonelada na segunda-feira, em relação à sexta-feira, segundo Corrêa, da Archer. "Foi um dia muito bom para o agro", afirmou.
Na Czarnikow, os preços fixados na segunda-feira ficaram entre R$ 2.450 a R$ 2.550 a tonelada, 20% a 40% acima dos preços do primeiro semestre. (Colaborou Paulo Santos, de Campina Grande-PB)