Agronegócio

Feira na China deve ser 'termômetro' para carne bovina do Brasil

Autor: Por Raphael Salomão — São Paulo Publicado em: Fonte: Globo Rural
Feira na China deve ser 'termômetro' para carne bovina do Brasil
Foto: Apex Brasil

Pelo menos 20 empresas de carne bovina do Brasil participam de feira de negócios na China, a partir da próxima quinta-feira (5/11). É quando começa, em Xangai, a edição de 2026 da China Internacional Import Expo (CIIE), que reunirá mais de 4,1 mil expositores representando mais de 150 países.

As indústrias brasileiras se reunirão em um espaço da marca Brazilian Beef, como acontece há anos em eventos internacionais. É uma parceria da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil).

A CIIE acontece em um momento importante para o comércio de carne bovina entre Brasil e China. Será um termômetro importante para avaliar o ritmo dos negócios, a demanda dos importadores e as perspectivas para os próximos meses
, avalia o presidente da Abiec, Roberto Perosa.

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Na edição de 2025, as empresas brasileiras negociaram US$ 48,26 milhões durante o evento. E projetaram US$ 1,15 bilhão para os 12 meses seguintes.

A China é o principal comprador da carne bovina brasileira. Atualmente, o Brasil possui 69 plantas frigoríficas habilitadas para exportar ao país. As unidades pertencem a 32 empresas e distribuídas por 12 estados.

A China demanda um produto com condições sanitárias e de manejo específicas. As exigências (abate de animais com menos de 30 meses, com até quatro dentes incisivos e sem sinais de doenças) levou ao que hoje se chama de "boi-China".

No ano passado, as exportações de carne bovina para o mercado chinês somaram 1,64 milhão de toneladas, 47,53% de todo o volume embarcado. Neste ano, as vendas ficaram limitadas a 1,1 milhão de toneladas, cota imposta pelo governo chinês após a adoção de salvaguardas a favor da cadeia produtiva local.

Os embarques acima desse volume estão sujeitos a uma tarifa de importação de 55%, o que, na avaliação da indústria, praticamente inviabiliza os negócios. Oficialmente, o governo da China informou em setembro o cumprimento da cota. Mas, desde julho, as vendas já estavam quase paradas.

A cota reabre em janeiro. A perspectiva de retorno do mercado chinês tem dado suporte dos preços do boi gordo no mercado brasileiro. Em outubro, o indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) acumulou alta de 7,03%. Na sexta-feira (30/10), o valor chegou a R$ 389,90 a arroba.

A Abiec avalia que, em 2027, os frigoríficos brasileiros devem totalizar 1,1 milhão de toneladas exportadas para a China antes do que em 2026. Roberto Perosa, presidente da Associação, indicou essa possibilidade em meados de outubro, durante o Salão Internacional da Alimentação (Sial), em Paris.

As empresas estão voltando a produzir carne para a China. Precisa ter uma conjuntura de coisas de transporte marítimo, para chegar na data certa, chegar somente em janeiro. Mas, pelo volume de produção, a cota tende a se encerrar mais cedo no ano que vem
, disse, em coletiva de imprensa.

No Sial, as indústrias de carne bovina fecharam US$ 530 milhões em negócios. E projetaram US$ 1,7 bilhão para os próximos 12 meses em função de contatos durante o evento na capital francesa, onde o próprio Perosa disse ter percebido uma movimentação intensa de potenciais compradores chineses.

Na CIEE, a expectativa é de ter uma perspectiva mais clara desse ritmo de negócios.

A China segue como nosso principal parceiro comercial, e nossa expectativa é fortalecer essa relação e ampliar as oportunidades dentro das condições estabelecidas para o próximo ano
, diz.

Na quarta-feira (28/10), o presidente da Abiec informou que teve um encontro com o vice-presidente da República reeleito, Geraldo Alckmin, em Brasília. Em um vídeo publicado em suas redes sociais, Roberto Perosa disse ter levado os cumprimentos pela reeleição e encaminhado a pauta do setor ao governo.

Falamos sobre os desafios da cadeia da carne bovina brasileira, as perspectivas para os próximos anos e as principais demandas das empresas
, divulgou Perosa, em postagem, sem detalhar o que foi conversado.