Agronegócio

Fertilizantes mais caros pressionam margem dos produtores, diz StoneX

Autor: Por Danton Boatini Júnior — São Paulo Publicado em: Fonte: Globo Rural
Fertilizantes mais caros pressionam margem dos produtores, diz StoneX
Foto: Getty Images

A disparada nos preços dos fertilizantes deve comprometer a rentabilidade dos produtores rurais que fizeram suas compras no momento de preços mais altos. Segundo Tomás Pernías, analista de inteligência de mercado da StoneX, não há como o Brasil passar ileso pela conjuntura no Oriente Médio, que impactou o poder de compra dos agricultores.

O produtor de milho precisava de 37 sacas de milho para comprar uma tonelada de ureia. Nos piores momentos da guerra, essa relação chegou a 75 sacas, ou seja, o produtor de milho precisava do dobro de mercadoria para comprar uma tonelada de ureia
, afirmou o analista durante o 9º Seminário StoneX, nesta quinta-feira (8/10).

O conflito no Oriente Médio elevou o custo de vários componentes do fertilizante importado, como o gás, o frete marítimo e o transporte rodoviário, fazendo com que o produtor rural brasileiro seja impactado em diversas etapas.

O preço da ureia disparou 70% nos piores momentos da guerra. Também houve altas significativas no nitrato (63%) e sulfato de amônio (40%). Como consequência, a piora na relação de troca ajuda a explicar a retração na demanda brasileira por nitrogenados. O Brasil começou 2026 importando menos nitrogênio em relação a 2025.

No caso do enxofre, matéria-prima fundamental dos fosfatados, o preço acumulou alta de 1.800% entre 2020 e 2026. Fábricas de SSP (superfosfato simples) foram paralisadas no Brasil porque não conseguiram absorver o custo.

Ou seja, praticamente o único produto que o Brasil produz em larga escala e com bastante quantidade é o produto que está sendo mais afetado na nossa produção
, afirmou o analista.

O impacto se dá de formas diferentes conforme a cultura. No milho, considerando uma produtividade média de 110 sacas por hectare em uma lavoura com alto grau de tecnologia, "a conta quase não fecha", segundo o analista. Na soja, a recentes reação dos preços trouxe uma ligeira melhora. Já no caso do algodão, houve rentabilidade positiva nos últimos dois meses, que sinaliza melhora para o futuro.

Vai depender de como vai ser dar a comercialização do grão e qual preço ele vai conseguir fixar
, resumiu Pernías. Por fim, o especialista ressaltou que o cenário não é de otimismo para quem espera por uma melhora no ambiente de turbulência internacional.