Financiamento rural via CPR também cai no primeiro trimestre da safra
O acesso ao crédito rural por meio de emissão de Cédulas de Produto Rural (CPRs) também caiu no primeiro trimestre do Plano Safra 2026/27. Dados divulgados nesta sexta-feira (9/10) pelo Ministério da Agricultura mostram que foram desembolsados R$ 50,3 bilhões pelos títulos nos primeiros três meses do ciclo. O valor é 26,3% menor que os R$ 68,3 bilhões concedidos entre julho e setembro de 2025 para grandes produtores.
No período, foram emitidas 36,6 mil CPRs em favor de instituições financeiras. O recurso concedido é oriundo de exigências do Conselho Monetário Nacional (CMN) para aplicação em crédito rural ou títulos do agronegócio, como parte dos valores captados em Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) e poupança rural.
Ao somar com o desembolso das linhas tradicionais do crédito rural, foram liberados pouco mais de R$ 107 bilhões para médios e grandes produtores nos três primeiros meses da safra 2026/27. O valor também fica aquém dos R$ 154,3 bilhões.
Os números não consideram a liberação de crédito via Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que somou R$ 23,9 bilhões no primeiro trimestre de 2025/26 e 22,4 bilhões agora. Nesta semana, a reportagem mostrou que o desembolso do Plano Safra recuou quase 30% em geral.
Segundo o balanço do Ministério da Agricultura, médios e grandes produtores acessaram R$ 86,7 bilhões, em linhas e CPRs, para custeio da safra, o equivalente a quase 81% do total concedido no trimestre.
Os programas de investimento, voltados à aquisição de máquinas, equipamentos, irrigação e modernização de estruturas produtivas, seguem com ritmo lento de contratação. Foram concedidos R$ 7,4 bilhões para médios e grandes produtores ante R$ 11,9 bilhões no primeiro trimestre da safra 2025/26. O Pronamp Investimento teve mais de R$ 1 bilhão em desembolsos, seguido do RenovAgro, com R$ 845 milhões. O Proirriga chegou a R$ 94 milhões apenas.
Por se tratar dos primeiros meses da safra, o volume contratado nos programas de investimento ainda é inicial em relação à programação orçamentária anual, com avanço esperado à medida que as instituições financeiras realizem novas contratações, justificou a Pasta.
Os recursos equalizáveis concedidos nos três primeiros meses da safra chegaram a R$ 20,4 bilhões. A disponibilidade, até junho de 2027, é de R$ 97,6 bilhões em linhas para médios e grandes produtores que contam com juros equalizados pelo Tesouro Nacional, que paga a diferença às instituições em relação às taxas de mercado.
O volume corresponde a parte da programação prevista para o ciclo e pode avançar ao longo da safra, conforme as instituições financeiras realizem novas contratações, informou o ministério.
Foram desembolsados R$ 16,3 bilhões equalizáveis em operações de custeio, R$ 3,7 bilhões em investimentos e R$ 325,2 milhões em financiamentos de comercialização.
O Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor (Pronamp) concentrou a maior parte do montante concedido no perídio, com R$ 942,3 milhões. Entre os programas de investimentos, destaque para o RenovAgro, com R$ 841,4 milhões, e o Moderfrota, com R$ 639,9 milhões.
Segundo o Ministério da Agricultura, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Banco do Brasil concentraram cerca de 73% das concessões de operações de investimentos equalizáveis para médios e grandes produtores entre julho e setembro. Nos financiamentos de custeio, a maior parte dos financiamentos foi liberada pelo BB, Sicredi e Cresol.