Governo Lula precisa de ajuste econômico e tem reputação ambiental como trunfo, diz Insper Agro
Após a reeleição em segundo turno para a Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá pela frente desafios que impactam diretamente o agronegócio. Bruno Capuzzi, pesquisador do Insper Agro Global, avalia que há necessidade de ajustes na estratégia econômica para lidar com cortes de gastos e soluções para o endividamento no campo, que acarretam custos. Por outro lado, a política de abertura de mercados a produtos agropecuários brasileiros e a gestão ambiental jogam a favor de Lula nas negociações internacionais.
A reputação ambiental acaba sendo um grande trunfo para o Brasil, disse o especialista, citando que o país encontra-se em um dos menores índices de desmatamento na Amazônia desde o começo deste século. Segundo ele, este fator contribui para acordos com importadores relevantes como a União Europeia.
Neste mês, o Brasil ultrapassou a marca de 700 novos mercados abertos para produtos agropecuários em 99 destinos desde o início de 2023, quando começou o terceiro mandato de Lula na Presidência.
Na avaliação do especialista do Insper, no cenário atual, não é possível desassociar a produção agropecuária da agenda externa, o que torna importante a continuidade destas políticas de expansão de mercados.
Desafio econômico
Do ponto de vista financeiro, Capuzzi afirma que ainda é cedo para entender de onde virão os cortes de gastos do governo federal, e como será feito o aumento de gastos que dará suporte para subsidiar juros de dívidas rurais, "mas algum ajuste vai acontecer", estimou.
Ele acredita que a reorganização das despesas vai precisar ser acomodada e, após a reeleição, já é possível identificar sinais de que haverá mudanças no novo governo, sobre quem ficará com a gestão econômica do país.
Uma solução para a questão financeira tem sido uma das principais demandas do agronegócio, devido ao alto patamar de juros que dificulta o acesso ao crédito rural e eleva o patamar de dívidas.
Para o pesquisador do Insper, outro desafio da nova gestão será o fortalecimento do sistema de seguro rural.
Temos um montante previsto de R$ 1,2 bilhão para seguro rural em 2027, quando ainda dependemos que quase R$ 900 milhões deste total sejam aprovados pelo Congresso, disse.
Sobre o fortalecimento da bancada ruralista após a última eleição, Capuzzi observa que, mesmo sendo oposição ao governo atual, há um entendimento geral de que as pautas do agronegócio são importantes, uma vez que o setor é considerado fundamental para a economia brasileira.
Isso é uma coisa bastante pacificada, todos sabem da força e necessidade do agro para trazer divisas para o Brasil, afirmou.
Na visão de Capuzzi, o aumento de recursos do Plano Safra 2026/27, a redução nas taxas de juros, sobretudo para a agricultura familiar, são sinais de que as demandas do setor agropecuário têm sido atendidas.