Agronegócio

GSI, de armazenagem, aposta em vendas para a agroindústria

Autor: Por Nayara Figueiredo — São Paulo Publicado em: Fonte: Globo Rural
GSI, de armazenagem, aposta em vendas para a agroindústria
Foto: Divulgação

Para contornar o ambiente de cautela dos produtores rurais do país em relação a investimentos dentro das fazendas, a GSI, especializada em equipamentos para armazenagem, está apostando no crescimento da demanda das agroindústrias, como os fabricantes de biocombustíveis e de carnes, por estruturas próprias.

A GSI ainda espera uma queda nas vendas neste ano, mas em uma ordem de grandeza menor do que a média do mercado. A expectativa é que a demanda das agroindústrias limite os impactos e as vendas caiam um dígito.

Em entrevista à reportagem, Ricardo Marozzin, presidente da Grain & Protein Technologies (GPT) América do Sul, detentora da marca GSI, afirmou que a companhia terá uma "ligeira retração" no Brasil neste ano, o que, dadas as circunstâncias, é até visto com bons olhos. A empresa está entre as três maiores empresas do setor de armazenagem no país e, segundo o executivo, a GSI lidera o setor globalmente.

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O investidor está hiper seletivo e cauteloso, precificando o risco climático e o El Niño. Isso afeta a capacidade de investimento
, diz Marozzin. O executivo admitiu que a GSI não fica imune ao ambiente mais difícil. Ele não revelou números do ano atual, mas afirmou que a empresa
vem apresentando desempenho melhor que o observado no mercado de máquinas e implementos agrícolas
.

O faturamento do setor de armazenagem no Brasil caiu 30% no primeiro semestre, segundo Paulo Bertolini, vice-presidente da Câmara Setorial de Equipamentos para Armazenagem de Grãos, da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). A entidade não tem uma projeção para 2026, mas o dirigente observou que, neste ano,

o setor percebe uma redução nos negócios, principalmente com as fazendas, refletindo a crise de crédito no agronegócio
.

Parte dos projetos de armazenagem está travada porque os produtores estão esperando as eleições. Bertolini calculou que, em 2025, os investimentos em armazenagem no Brasil ficaram entre R$ 7 bilhões e R$ 10 bilhões. O montante, porém, ainda está aquém do necessário para suprir o déficit de armazenagem, segundo a Abimaq.

Nos últimos anos, a GSI vinha ampliando sua atuação em projetos de mais complexidade, voltados a agroindústrias de biocombustíveis, proteína animal, cerealistas e cooperativas. A companhia divide sua operação em duas frentes: Fazendas e Contas Comerciais. Neste ano, a área de Contas Comerciais, que reúne os projetos de maior escala -- incluindo as agroindústrias -- passou a representar mais de 50% do faturamento. Antes, o negócio representava em torno de 20% do faturamento.

Isso tem nos ajudado, assim como as modernizações [de armazéns já instalados], para sermos uma indústria com oferta atrativa, seja na tecnologia ou na competitividade
, afirmou.

Expansões

Outra oportunidade que vem crescendo é a de aumento de capacidade instalada por parte de produtores rurais que já possuem armazéns próprios, segundo Marozzin.

Um produtor que tinha capacidade para armazenar 100 mil sacas, por exemplo, passa a investir para chegar a 150 mil ou 200 mil sacas
, disse.

Para ele, os comportamentos são diferentes de acordo com o produtor.

Os que já experimentaram o benefício da armazenagem na fazenda seguem investindo. Já os novos projetos de produtores ficaram mais escassos.

Apesar do momento adverso, Marozzin acredita que o Brasil ainda é o principal mercado para o setor na América Latina, dado o tamanho da safra de grãos e ao déficit de armazenagem.

A média de crescimento da produção de grãos tem sido de 12 milhões de toneladas por ano. Em contrapartida, a capacidade estática de armazenagem cresce apenas metade deste montante, de acordo com dados da câmara setorial da Abimaq. Isso significa que, a cada ano, o déficit de armazenagem tem aumento em torno de 5 milhões a 6 milhões de toneladas no Brasil. A entidade estima que o déficit de armazenagem do país esteja em cerca de 135 milhões de toneladas.

Crescimento orgânico

A estratégia de crescimento da GSI continua baseada na expansão orgânica, com investimentos internos. Marozzin não descartou, porém, possibilidades de fusões e aquisições. A GPT chegou a negociar uma proposta de fusão com a Kepler Weber neste ano, mas o prazo para fechamento da operação expirou, mesmo após o conselho de administração da Kepler aprovar a minuta do acordo.

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A principal estratégia, hoje, é o crescimento orgânico. Isso não significa que a empresa não possa perseguir algum M&A [fusão e aquisição]. Mas, nesse momento é uma agenda paralela
, disse. A opção, porém, segue aberta. "Se aparecerem oportunidades atrativas, por quê não?" Neste caso, o Brasil seria o foco, por concentrar a maior parte das oportunidades para sistemas de pós-colheita na América do Sul.

Entre outros países da América Latina, o executivo destacou a Argentina, onde ele vê aumento nas oportunidades após um período de menor investimento. O Paraguai, por sua vez, segue estável e com atratividade de recursos, disse.

Para 2027, Marozzin disse ver possibilidade de um cenário melhor para a demanda, condicionado à recuperação dos preços das commodities agrícolas. Na avaliação do executivo, a elevação das cotações pode devolver margem ao produtor rural e abrir espaço para a retomada dos investimentos.