Incentivo às mulheres do campo pode somar US$ 1 trilhão ao PIB global
A Organização das Nações Unidas (ONU) cobrou mais investimentos de governos e setores privados nas mulheres produtoras rurais. A ONU argumenta que a eliminação de barreiras de gênero na agricultura poderia aumentar em até US$ 1 trilhão o Produto Interno Bruto (PIB) global.
O número é da FAO, agência das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação. Nesta quinta-feira (15/10), é comemorado o Dia Internacional da Mulher Rural, data que, neste ano, ganha mais importância, porque 2026 foi eleito pela ONU como o Ano Internacional das Mulheres na Agricultura.
A FAO calcula que, além de reforçar o PIB mundial, políticas voltadas para as mulheres do campo podem ajudar a reduzir a insegurança alimentar para pelo menos 45 milhões de pessoas. É mais do que toda a população da América Latina e Caribe que enfrentava desnutrição em 2025, de 32,1 milhões de pessoas, conforme estimativas da própria instituição.
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A agência da ONU informa que os sistemas agroalimentares são os maiores empregadores globais de mulheres em todas as fases da cadeia. Em 2023, representavam 42% da força de trabalho no meio rural, desde a produção, passando pelo processamento e distribuição, até o comércio dos produtos ao consumidor final.
No Brasil, dados da FAO de 2025 apontam que as mulheres correspondiam a 31,9% da mão de obra empregada na agricultura e 60,4% do trabalho em ocupações não-agrícolas. Entre as trabalhadoras por conta própria, a proporção é de 68,2% na agricultura e 39,6% nas ocupações não-agrícolas.
A FAO ressalta que ainda há diferenças significativas do trabalho da mulher rural em relação ao dos homens. Obstáculos que devem ser superados, levando-se em conta o papel fundamental que as mulheres exercem.
As mulheres que estão nos sistemas agroalimentares enfrentam um vácuo entre os recursos que têm e os que necessitam. As desigualdades e as pressões de um clima em transformação colocam sobre elas um fardo pesado e, muitas vezes, oculto.
A diferença começa no acesso à terra. A FAO informa que as mulheres trabalham em áreas melhores que as dos homens. E, quando atuam em propriedades do mesmo tamanho, a produtividade média é 24% menor, consequência da
discriminação estrutural e acesso desigual a capital, educação e tecnologia.
As mudanças climáticas agravam a situação, influenciando o valor da produção. Nas contas da agência da ONU, cada dia de temperaturas extremamente elevadas desvaloriza em até 3% as culturas produzidas por mulheres em relação aos homens.
Mulheres devem ajudar a moldar política agrícola
Dados da FAO, agência da ONU para a Agricultura e Alimentação, apontam que a falta de acesso a recursos e as mudanças climáticas reduzem a produtividade e o valor da produção das lavouras cultivadas por mulhere
FAO/ONU
A ONU Mulheres, agência das Nações Unidas voltada para as questões de gênero em escala global, também divulgou um posicionamento para o Dia Internacional da Mulher Rural. A instituição defende a remoção de barreiras que as impedem de ter autonomia econômica e liderança em sua atuação.
Os direitos, os recursos e o poder devem ser proporcionais às suas contribuições para os sistemas alimentares, a terra, a água e a biodiversidade, argumenta a ONU Mulheres.
A agência destaca que as mulheres que vivem no meio rural têm papel importante na conservação de sementes, proteção da biodiversidade, gestão de água e recuperação de áreas degradadas. No entanto, ainda não têm recursos, direitos e poderes de decisão à altura de sua importância.
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Na visão da ONU Mulheres, elas precisam de igualdade no acesso a financiamento, mercado, tecnologia e serviços agrícolas. Além de melhores condições de trabalho e proteção social. Necessitam também do reconhecimento de seu papel de liderança nos orçamentos e compromissos públicos.
As mulheres rurais devem ajudar a moldar as políticas agrícolas e decidir como o financiamento será utilizado para enfrentar as mudanças climáticas, proteger a biodiversidade e restaurar as terras, argumenta.
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