Indústria de aves e suínos espera ampliar negócios na Sial Paris
A indústria de aves e suínos espera ampliar a geração de negócios no Sial Paris 2026, que vai até a quarta-feira (21/10), na capital francesa. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) avalia que a diversidade de clientela na feira será positiva, em meio ao bloqueio da União Europeia à produção animal do Brasil.
Estamos falando com chineses, com árabes. Muitos países vêm para cá. As primeiras impressões são boas, disse o presidente da ABPA, Ricardo Santin, em entrevista, no domingo (18/10), segundo dia do evento.
Na Sial Paris de 2024, o setor contabilizou US$ 880 milhões em negócios: US$ 126,7 milhões em contratos fechados durante o evento os outros US$ 753,3 milhões a partir de contatos gerados durante a participação na feita.
Santin não projetou números para o evento deste ano. Disse apenas que o forte ritmo das exportações de carnes de frango e suína vistos nos últimos meses leva a crer que o volume de negócios será superior ao de dois anos atrás.
De janeiro a setembro, os embarques de carne de frango somaram a 4,421 milhões de toneladas, crescimento de 14% em comparação com o mesmo período no ano passado. Os exportadores faturaram US$ 8,673 bilhões, avanço de 21%.
No mesmo período, as vendas de carne suína para outros países chegaram a 1,192 milhão de toneladas, crescimento de 6,2%. A receita acumulada atingiu US$ 2,737 bilhões, avanço de 1,3% em relação aos nove primeiros meses do ano passado.
Na média, as vendas de carne de frango estão em 50 mil toneladas a mais por mês do que em 2025. No segmento de suínos, são 132 mil toneladas a mais.
O valor vai ser maior porque estamos exportando mais. Há um crescimento em volume. Ou seja, a feira tende a ser melhor que a outra, mesmo sem a União Europeia, ressaltou Santin, destacando que o setor consegue aumentar as exportações sem deixar de abastecer o mercado interno.
O espaço da ABPA na Sial Paris tem cerca de 670 metros quadrados, reunindo 25 empresas e cooperativas. O investimento, em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil), foi de cerca de R$ 6 milhões.
A estratégia da entidade é a de promover todas as suas marcas setoriais: Brazilian Chicken (frango), Brazilian Egg (ovos), Brazilian Pork (suínos), Brazilian Breeders (genética) e Brazilian Duck (pato).
Além de espaço de negócios, o estande da ABPA na Sial Paris vem promovendo degustações de pratos à base de frango e ovos produzidos no Brasil. Apenas no horário do almoço, são servidas, em média, 450 refeições por dia.
Luís Rua volta à ABPA para ampliar mercados
Na última sexta-feira (16/10), a ABPA anunciou o retorno de Luís Rua ao seu quadro executivo. Ele deixara a entidade anteriormente para ocupar o cargo de secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura.
Rua ocupará o cargo de Diretor Internacional, e ficará sediado na Europa, com a responsabilidade de tratar de negócios em mercados estratégicos, como União Europeia, África e Ásia.
Além da recuperação do acesso das aves, Rua deve discutir, como ente privado, a abertura da União Europeia para suínos do Brasil. E avançar nas negociações com outros mercados considerados estratégicos, como Etiópia, Tanzânia, Nigéria, Indonésia, Paquistão e Bangladesh.
Ele vai não apenas trabalhar em aberturas de mercado, mas em ter uma presença mais forte em locais onde podemos achar melhores canais e melhores oportunidades de venda. Com um diretor baseado na Europa, fica mais fácil, disse o presidente da ABPA, Ricardo Santin.
No fim de setembro, a indústria comemorou a assinatura de um protocolo sanitário entre Brasil e China para a exportação de miúdos internos de suínos, como fígado, coração e esôfago. Até então, o acordo bilateral valia apenas para miúdos externos, como orelha, rabo e focinho.
O potencial dessas exportações, afirmou Santin, é de agregar cerca de US$ 100 milhões à receita das vendas externas da suinocultura brasileira.
Só falta a análise das coisas burocráticas normais. Eles estão fazendo o processo de habilitação. Vai ter um aumento de exportação e agregar qualidade de venda, porque o valor vai ser maior. Tem uma diferença de preço médio entre o que a China e outros países pagam por esses produtos, disse.
*O jornalista viajou a convite da Apex Brasil
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