Agronegócio

Indústria de carnes projeta negócios e novas rotas de exportação após feira no Peru

Autor: Por Raphael Salomão — São Paulo Publicado em: Fonte: Globo Rural
Indústria de carnes projeta negócios e novas rotas de exportação após feira no Peru
Foto: Divulgação

A indústria de carnes do Brasil projeta novos negócios e rotas de exportação depois da participação da Expoalimentaria, no Peru. A feira, realizada entre os dias 23 e 25 de setembro, reuniu empresas dos setores de alimentos, bebidas, serviços, equipamentos, insumos, embalagens e tecnologia.

O setor de aves e suínos do Brasil esteve pela segunda vez no evento, em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil). A delegação promoveu as marcas institucionais Brazilian Chicken, Brazilian Pork, Brazilian Egg, Brazilian Breeders e Brazilian Duck.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que, durante o evento, os expositores fecharam US$ 2,87 milhões em negócios. E, encerrados os três dias da feira, há uma projeção de US$ 36,45 milhões para os próximos 12 meses.

Em nota divulgada nesta segunda-feira (28/9), o presidente da ABPA, Ricardo Santin, destacou a Expoalimentaria como referência para a ampliação dos negócios com o Peru.

A presença de compradores de diferentes mercados reforça o interesse internacional pela proteína animal brasileira e abre novas oportunidades para nossas empresas exportadoras
, disse.

Na visão da ABPA, o mercado peruano vem ganhando importância para a indústria brasileira. De janeiro a agosto de 2026, as exportações de carne de frango para o país somaram 40,7 mil toneladas e renderam US$ 68,5 milhões. Em comparação com 2025, houve altas de 59,9% e de 57,8%, respectivamente.

No mesmo período, as exportações de carne suína ao Peru somaram 12,7 mil toneladas e geraram US$ 32 milhões em receita, mais que o dobro do contabilizado no acumulado dos primeiros oito meses de 2025.

MT de olho na saída pelo Pacífico

Quem também vê o Peru com potencial é o Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), que representa a pecuária de Mato Grosso. Na visão da entidade, o país tem um consumo relativamente baixo de carne bovina.

Em comunicado, o Imac informa média nacional é de seis quilos por habitante ao ano. Na capital, Lima, o volume chega a 8,31 quilos por pessoa anualmente.

A avaliação é de que Mato Grosso poderia atender a um aumento na demandade nichos como restaurantes, hoteis e consumidores de maior renda. Essas parcelas de mercado poderiam ser atendidas por frigoríficos de pequeno e médio porte.

Na Expoalimentaria, a promoção da carne bovina de Mato Grosso envolveu sessões de degustação, informa a Instituto. Um chef de cozinha preparou cortes como bife ancho, fraldinha, maminha e contrafilé, com a intenção de mostrar as diferentes formas de se consumir a carne bovina.

O olhar da indústria de carne bovina mato-grossense, no entanto, vai além do consumo no próprio Peru. Inclui a posição estratégica do país como rota para se chegar à Ásia. O Imac lembra que esse movimento ganhou força com a inauguração do porto de Chancay, na costa do Pacífico.

Os representantes da pecuária de Mato Grosso observam que, no médio e longo prazo, ligações por via terrestre até portos no Oceanos Pacífico podem representar uma alternativa para o agro brasileiro chegar mais rapidamente ao mercado asiático.

Precisamos acompanhar essa transformação logística que está ocorrendo no país, com uma estrutura portuária voltada para aproximar a América do Sul dos mercados asiáticos
, diz, em nota, o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade.