Indústria vê agravamento do déficit de trigo para panificação no Paraná
O Sindicato da Indústria do Trigo do Paraná (Sinditrigo-PR) diz acompanhar com preocupação a reta final da colheita do trigo do Estado, que é o maior polo moageiro do cereal do Brasil. A ocorrência de doenças e o excesso de chuvas durante a colheita prejudicaram a qualidade dos grãos e agravaram a previsão inicial do setor, de um déficit de 1,6 milhão de toneladas entre a produção estimada e o volume de moagem dos moinhos paranaenses.
Na estimativa de setembro, o Departamento de Economia Rural (Deral) reduziu a produção estadual em 10%, para 2,13 milhões de toneladas, e o déficit em relação à moagem subiu para cerca de 1,7 milhão. O último boletim conjuntural do órgão, de 15 de outubro, aponta nova piora na avaliação das lavouras que ainda estão pendentes de colheita. O órgão divulgará nova estimativa em 29 de outubro, e a expectativa é de redução ainda maior da produção.
A presidente do Sinditrigo-PR, Paloma Venturelli, exemplifica que a previsão atual para o Norte do Paraná nesta safra é de uma produção de cerca de 750 mil toneladas de trigo, sendo que deste total apenas 400 mil toneladas devem ser de trigo Tipo 1, adequado à panificação. No ano anterior, a região chegou a produzir perto de 900 mil toneladas, a maior parte delas de trigo Tipo 1.
Para uma indústria formada, em grande parte, por moinhos de panificação, esse volume de 400 mil toneladas é muito baixo. As regiões de Guarapuava e dos Campos Gerais ainda têm produção em apuração, e o setor aguarda os números finais para avaliar o tamanho da perda na oferta, pontua Venturelli.