Agronegócio

Inovação pode render US$ 400 bilhões à indústria agrícola até 2035

Autor: Por Nayara Figueiredo — São Paulo Publicado em: Fonte: Globo Rural
Inovação pode render US$ 400 bilhões à indústria agrícola até 2035
Foto: Getty Images

As empresas e indústrias que fornecem soluções tecnológicas, insumos e infraestrutura para o produtor rural têm potencial para mais que dobrar de receita nos próximos anos. Estudo da PWC mostra que, em 2025, a receita dessas companhias era de US$ 150 bilhões no mundo e a expectativa indica que é possível alcançar a marca de US$ 400 bilhões em 2035, desde que os produtores invistam nessas áreas para sanar gargalos na lavoura.

O estudo considera a área de insumos agrícolas de nova geração, composta por indústrias como a de biotecnologia de sementes, bioinsumos, biodefensivos e aditivos para redução de metano. Em 2025, o faturamento dessas indústrias representava US$ 10 bilhões e há potencial para chegar a US$ 90 bilhões em 2035.

Outra área é a de sistemas agrícolas conectados, que representava US$ 30 bilhões no ano passado. São as receitas de empresas que fornecem máquinas de precisão, sensores, plataformas de dados, softwares de gestão de fazendas e soluções para agricultura regenerativa. Até 2035, a alta estimada pela PWC é de 12% para US$ 90 bilhões.

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Na questão da infraestrutura, embora o Brasil tenha diversos gargalos de logística e armazenagem, o estudo da PWC considera o cenário global. Nesse sentido, as indústrias com mais chance de crescer são as de equipamentos para agricultura em ambiente controlado, geradores de energia solar nas fazendas e sistemas de refrigeração solar. O faturamento estimado para estas indústrias era de US$ 110 bilhões em 2025 e há potencial para atingir US$ 220 em 2035, segundo a análise.

Em entrevista ao Valor, a sócia e líder do setor de Agronegócio da PwC Brasil, Mayra Theis, observa que as companhias só poderão atingir o potencial de receita se os produtores rurais conseguirem investir dentro da porteira nessas áreas, que são consideradas os maiores gargalos para destravar a produtividade.

Ou seja, este crescimento só terá escala se forem resolvidos os desafios do produtor rural, como por exemplo, criar melhores condições de cultivo, reduzir os custos com insumos e aumentar a eficiência e a produtividade
, afirma a executiva.

Mayra Theis, sócia e líder da indústria de Agro da PwC Brasil

Divulgação

Segundo Theis, investir em insumos seria necessário para tornar a agricultura mais eficiente e resiliente, sobretudo, às mudanças climáticas.

Os agroquímicos têm espaço para crescer, mas a maior tendência de investimentos seria nos insumos biológicos, como os bioestimulantes
, diz.

Além disso, os fertilizantes e pesticidas sintéticos são considerados importantes fatores de custo e passivos ambientais. Questões geopolíticas, como as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, evidenciaram o aumento de custo desses insumos.

O estudo destaca também que a adoção de tecnologias de agricultura de precisão, como irrigação guiada por sensores e análises de culturas baseadas em inteligência artificial, permite um uso mais direcionado de insumos, reduzindo custos operacionais e aumentando a resiliência à volatilidade climática.

Theis ressalta que a agricultura regenerativa entra nos sistemas conectados e

está ganhando força para restaurar a saúde do solo e potencialmente desbloquear fluxos de receita de carbono, embora sua adoção ainda dependa fortemente de benefícios econômicos claros e apoio à transição
.

A PWC lembra que os investimentos necessários no campo dependem das decisões de 608 milhões de agricultores do planeta - dos quais 84% cultivam menos de dois hectares.

Para eles (produtores), o custo, a percepção de risco e clareza sobre o retorno financeiro estão entre os principais obstáculos à adoção de novas tecnologias
, afirma Theis.

O relatório da PWC considera análises de dados e informações obtidas em entrevistas com 30 executivos seniores de empresas e cooperativas de todo o ecossistema alimentar ao redor do mundo.